CSU – Alemanha espera novo programa da Grécia depois de junho

26/02/2015

 

 

A Alemanha espera um novo programa da Grécia depois de junho. Grécia admite pedir extensão do prazo de pagamento de empréstimos de março e abril caso tenha problemas de liquidez.

 

 

A Alemanha espera que a Grécia apresente um novo programa depois de junho, disse esta quinta-feira Michael Fuchs, vice-presidente da bancada parlamentar da CDU/CSU de Angela Merkel, após uma votação teste entre os parlamentares em antecipação ao voto do Parlamento alemão à extensão do programa grego na sexta-feira. Vinte e dois dos 311 membros do partido votaram contra.

 

 
O acordo foi difícil e continua a dar dores de cabeça. Para que a Grécia tenha a extensão pedida e acordada no Eurogrupo, os parlamentos nacionais têm de aprovar o pedido. Nem todos têm de o fazer, como é o caso de Portugal, mas a Alemanha, um dos mais críticos, está entre os países que têm de aprovar.

 

 
A CDU/CSU de Angela Merkel decidiu fazer um teste antes da votação de sexta-feira. Cinco deputados abstiveram-se, 22 votaram contra, disse o porta-voz do partido à Bloomberg.

 

 
Michael Fuchs, vice-presidente da bancada parlamentar, diz que a Alemanha está à espera de um novo programa da Grécia depois de a extensão acabar, em junho.

 

 
Problemas de liquidez

 

 
Numa altura em que ainda nem sequer se aprovou a extensão do programa, surgem já novos problemas. O ministro das Finanças da Grécia já alertou esta quarta-feira que a Grécia pode vir a ter problemas de liquidez que podem levar a que a Grécia não tenha capacidade para reembolsar os empréstimos do FMI e a dívida que o BCE tem em carteira em junho.

 

 
Berlim recusa dar mais um cêntimo se a Grécia não completar com sucesso a revisão, o que implica tomas as medidas que estão acordadas no programa da troika (ou instituições, na nova terminologia).

 

 
Hoje, o ministro de Estado Alekos Flabouràris já admite problemas para pagar os empréstimos de março e abril e diz que, se assim for, a Grécia pode vir a pedir um período de graça a estas duas instituições de dois meses.

 

 

FOTO: Getty Images

 
Autor: Nuno André Martins

 
Observador

 

 

Igreja pede às autoridades venezuelanas para não usarem armas contra manifestantes

27/02/2015

 
A Conferência Episcopal Venezuelana pediu às autoridades da Venezuela para que não usem armas para reprimir manifestantes, três dias após a morte de um estudante na sequência de um tiro de um polícia.

 
A Conferência Episcopal Venezuelana (CEV) emitiu hoje um comunicado pedindo às autoridades da Venezuela para que não usem armas para reprimir manifestantes, três dias após a morte de um estudante na sequência de um tiro de um polícia.

 
“Pedimos encarecidamente às autoridades civis, militares e policiais, que não usem nem métodos nem armamento contrários à legalidade e à dignidade dos seres humanos”, diz o comunicado lido por Mário Moronta, bispo de San Cristóbal, localidade onde o estudante foi assassinado, em que se salienta que “o protesto é um direito dos cidadãos”.

 
“Os causadores da morte do jovem estudante, e de outros excessos, devem assumir a sua responsabilidade e ser levados aos órgãos correspondentes de administração de justiça”, refere o comunicado que convida os venezuelanos a esgotar os espaços para o encontro e o diálogo construtivo.

 
Os bispos instam ainda os líderes políticos venezuelanos, de todo o espectro, a “unirem esforços para criar um clima de paz”.

 
Kluiverth Roa Núñez, de 14 anos, morreu na terça-feira na sequência de um tiro na cabeça, disparado alegadamente por um agente da Polícia Nacional Bolivariana, nas proximidades da antiga Universidade Católica de Táchira.

 

O jovem foi levado para um centro hospitalar onde morreu.

 
O assassínio está a ser amplamente questionado pela sociedade venezuelana e por organizações da oposição e simpatizantes do Governo venezuelano e pelo próprio Presidente, Nicolás Maduro.

 

 

Segundo a procuradora-geral, Luísa Ortega Díaz, as autoridades detiveram Javier Mora Ortiz de 23 anos, o agente suspeito da morte do estudante, o qual será acusado de homicídio intencional, com a agravante de que a vítima era um adolescente.

 
O agente em causa admitiu disparado uma “bala de borracha”.

 

 
FOTO: Jorge Castellanos/EPA

 

LUSA

 

 

 

China proíbe importação de marfim durante um ano

27/02/2015

 

 

A China impôs uma proibição de um ano sobre a importação de marfim, em resposta às críticas internacionais de que a procura crescente encoraja o massacre de elefantes ameaçados de extinção.

 
A medida, que entrou em vigor na quinta-feira, foi anunciada num comunicado divulgado no ‘site’ oficial da Administração das florestas. O anúncio é feito antes da visita à China do príncipe William, duque de Cambridge, que tem feito campanha ativa contra o contrabando ligado à caça ilegal de animais selvagens, um tema que deverá abordar durante uma conferência à sua passagem pela província chinesa de Yunnan, no sul, na quarta-feira.

 

 
A China é signatária da Convenção sobre o Comércio Internacional de Espécies Ameaçadas, mas as vendas reguladas de marfim esculpido são legais no país. A matéria-prima é utilizada com frequência para esculpir desde objetos de devoção budista a utensílios da vida quotidiana, como pauzinhos para comer.

 

 
Entre 800 e 900 casos de contrabando de marfim são descobertos na China anualmente, de acordo com estatísticas da alfândega citadas pelo estatal Beijing Youth Daily.

 
FOTO: ALEX HOFFORD/EPA

 
LUSA

 

 

 

Cinco lugares semelhantes ao Triângulo das Bermudas

23/03/2015

 
Conheça outros lugares onde as coisas somem e ninguém sabe como aconteceu nem onde eles estão!

 
A primeira coisa que te vem à cabeça quando o assunto é desaparecimento de aviões e/ou embarcações, é o Triângulo das Bermudas certo? Porém, ele não é o único lugar do mundo onde as coisas somem sem justificativa alguma. Conheça a seguir cinco lugares misteriosos e dignos de serem lembrados quando o assunto for o sumiço repentino de pessoas, aeronaves, embarcações e etc.

 

 
Montanhas da Superstição

 

 
O local que tem um nome bem sugestivo desperta a curiosidade de muitos transeuntes por causa de suas lendas e mistérios. As Montanhas da Superstição ficam no Arizona, segundo a lenda houve um desbravador do local chamado Jacob Walts que descobriu uma mina de ouro em pleno século 19. Porém o homem jamais revelou a localização do tesouro e levou esse segredo para o túmulo. Inúmeras expedições foram organizadas para encontrar a mina, mas falharam miseravelmente. Mas o que faz dela um mistério?

 

 

 

Pois bem, muitos historiadores e pessoas que já foram ao local acreditam que os espíritos dos que morreram tentando encontrar a mina continuam vagando pelas montanhas em busca do ouro, além dos nativos que dizem que os tesouros do local são guardados por criaturas mágicas que habitam os túneis e as cavernas do local. Outro fato importante a dizer é que os Apaches acreditam que ali estão os portões do inferno.

 

 

Lago Angikuni

 

 

 

cinco lugares semelhantes ao Triângulo das Bermudas1
Sumiços de aviões e navios são fichinhas perto do que aconteceu neste lago, depois que uma vila inteira ter desaparecido. Mas como assim? Bom, em 1930 quando um caçador que conhecia bem a região do Lago Angikuni, no Canadá, procurava um local para passar a noite e descobriu que os habitantes de um vilarejo no qual ele mesmo costumava se hospedar havia desaparecido. Sobraram apenas roupas, alimentos, armas, imóveis e etc.

 

 

Ele resolveu dar uma volta por toda cidade para averiguar se encontrava mais situações bizarras e não deu outra. Ele encontrou sete cães usados para puxar trenós mortos de inanição e uma cova de cemitério totalmente aberta e vazia. Dizem as más línguas que algumas luzes estranhas foram vistas no céu quando os habitantes desapareceram, mas nada mais pode explicar o sumiço.

 

 

Alguns culpam os extraterrestres, outros culpam os vampiros e até mesmos espíritos malignos.

 

 

 

Triângulo do Lago Michigan

 

 

Cinco lugares semelhantes ao Triângulo das Bermudas2

 
Semelhante ao Triângulo das Bermudas, o Lago Michigan também tem um espacinho que fazem as coisas desaparecer sem explicação alguma. Na Lista destas coisas estão: pessoas, aeronaves e embarcações. O caso mais famoso foi do voo 2501 da Nortwest Orient Airlines, que em 1950 sumiu com 55 passageiros a bordo. O avião era um Douglas DC-4 que ia de NY para Minneapolis, mas devido ao mau tempo teve que desviar sua rota e passar pelo lago.
Próximo da meia-noite, o piloto Robert C. Lind solicitou à torre de controle permissão para trocar de altitude, esse foi o último contato da aeronave. Foi criada uma grande operação de busca no local, usaram sonar e até fizeram arrastão no fundo do lago e nada! Acharam apenas destroços pequenos, pedacinhos de estofamentos e fragmentos de corpos humanos boiando na superfície.

 

 

Triângulo de Bennington

 

 

Cinco lugares semelhantes ao Triângulo das Bermudas3

 
Esse foi outro triângulo que deu o que falar nos anos anos 50. Ele é situado próximo a Vermont , nos EUA e o local foi palco de cinco sumiços misteriosos. O primeiro foi de um homem chamado Middie Rivers, ele liderava um grupo de caçadores quando todos voltavam para o acampamento. Por um momento ele se distanciou dos companheiros e nunca mais foi visto.

 
Depois foi a vez de uma mulher chamada Paula Welden, ela sumiu sem deixar pistas quando fazia uma trilha no local. Logo depois veio um veterano de guerra chamado James Tetford e em seguida um garotinho de 8 anos de idade chamado Paul Jepson. Todos desapareceram sem deixar rastro. Para fechar a conta, o ultimo desaparecimento foi de uma mulher chamada Frieda Langer.
Langer estava com uma prima quando escorregou e caiu num córrego e depois do acidente decidiu voltar para trocar as roupas que estavam molhadas. Resultado? Ela também desapareceu, mas ao contrário das outras vítimas, seu corpo foi encontrado seis meses depois em uma área que as equipes de buscas fizeram varreduras exaustivas. Todavia, o cadáver estava tão mutilado que a causa da morte jamais foi descoberta.

 

 

Os mistérios de Bennington jamais foram esclarecidos.

 
Anomalia no Atlântico Sul

 

 

Cinco lugares semelhantes ao Triângulo das Bermudas4
Este lugar é o mais sinistro de todos citados anteriormente. Ele se encontra sobre uma área muito próxima da costa brasileira. A Anomalia do Atlântico Sul é uma região na qual o cinturão de Van Allen (sistemas de anéis de radiação) tem sua máxima aproximação com a superfície terrestre.

 

 
O legal é que, graças a alta concentração de partículas existentes, satélites, espaçonaves e outros veículos e objetos costumam apresentar uma série de problemas quando sobrevoam a área. Tanto que o pessoal da Estação Espacial Internacional evita sair ao espaço para fazer reparos quando estão passando sobre a Anomalia. Muitos astronautas relataram que viram luzes estranhas e “estrelas cadentes” na região. Curioso não?

 

 
Autor: Bruno Fonseca

 

 

 

 

 

 

 

Tecnologia portuguesa no novo veículo da Agência Espacial Europeia

23/03/2015

 

 
O grupo português ISQ participou nos ensaios de qualificação do escudo de proteção térmica do veículo espacial IXV. O objetivo da missão é testar tecnologias para os sistemas de reentrada na Terra.

 

 

Estiveram envolvidos 30 engenheiros portugueses e um investimento de dois milhões de euros.

 

 
A Agência Espacial Europeia lança nesta quarta-feira o veículo experimental IXV (Intermediate eXperimental Vehicle), construído com a participação do grupo português ISQ. O objetivo da missão é testar tecnologias para os sistemas de reentrada automatizada na atmosfera terrestre de futuros projetos espaciais.

 

 
De acordo com o comunicado de imprensa divulgado pelo grupo, o ISQ participou nos ensaios de qualificação do escudo térmico que permitirá a proteção do veículo na absorção excessiva de calor proveniente da reentrada na Terra. Estiveram envolvidos no projeto cerca de 30 engenheiros portugueses que dedicaram 15 mil horas de trabalho num investimento de dois milhões de euros. A última fase de ensaios decorreu no laboratório do grupo em Castelo Branco.

 

 

Tecnologia portuguesa no novo veículo da Agência Espacial Europeia1

 
A empresa portuguesa ISQ participou nos ensaios de qualificação do escudo térmico do veículo espacial IXV.

 

 
Segundo Paulo Chaves, responsável pelo mercado aeroespacial no ISQ, a participação do grupo português neste projeto permite ganhar mais competências, experiência e credibilidade noutros setores. “O investimento feito não se esgota neste projeto; vai permitir a dinamização da nossa atividade e o desenvolvimento de novas áreas de negócio. Ganhámos um conjunto de competências e de credibilidade neste mercado que vão reforçar as nossas vantagens competitivas e abrir a porta a projetos internacionais mais ambiciosos nas mais diversas áreas”, afirma.

 

 
O lançamento do IVX realiza-se no Centro Espacial Europeu em Kourou, na Guiana Francesa. Um foguete VEGA será o responsável por levar a nave a uma altitude superior a 400 quilómetros a uma velocidade de 7,5 quilómetros por segundo. O IXV realizará uma trajetória equatorial e, com o apoio dos seus propulsores, fará a reentrada na atmosfera a uma altitude de aproximadamente 120 quilómetros.

 

 
Após a reentrada, quatro paraquedas ajudarão a amortecer a amaragem no Oceano Pacífico, próximo à Colômbia. Em seguida, o veículo será recolhido por um navio que o trará de volta à Europa para uma nova bateria de testes, nos quais o grupo português irá participar.

 
O jornal International Business Times preparou um vídeo a explicar como será a viagem espacial do veículo IXV.

 

 
FOTO: P PIRON

 
AUTOR: Milton Cappelletti

 

 

 

Coréon Dú, o filho artista do presidente de Angola

16/03/2015

 
Os pais queriam que fosse médico, engenheiro ou economista – mas José Paulino dos Santos decidiu ser Coréon Dú, artista.

 

 

Coréon Dú entra na sala com um fato azul e rosa, de calções, meias de motivos geométricos pretos e brancos e umas grandes botas de cabedal. Todos estão vestidos em tons escuros na apresentação da coleção de sapatos do modelo luso-guineense Armando Cabral, durante a semana da moda de Nova Iorque, e o músico angolano, de 30 anos, destaca-se. Move-se de forma discreta, mas sorri quando cumprimenta o modelo e estilista, um sorriso de criança, que não terá mudado muito desde que tinha oito anos, todos o chamavam José Paulino e o pai, Presidente de Angola, concordou que fosse viver para casa dos avós, em Lisboa, longe da guerra civil que assolava o país.

 

 
Dois dias depois, o filho de José Eduardo dos Santos e da sua segunda mulher, Maria Luísa Perdigão Abrantes, está no restaurante do The Greenwich, o elegante hotel de Robert DeNiro em Manhattan. Explica que está nos Estados Unidos para a promoção do seu último álbum, Binário, com voz baixa e os olhos fixos na mesa à sua frente, uma postura que contrasta com as calças de padrão étnico, a T-shirt colorida e a camisa de ganga, que ele mesmo tingiu. Durante esta semana, foi a desfiles de moda, deu entrevistas e organizou uma apresentação visual do seu álbum. Numa sala adaptada para o efeito, vários artistas convidados mostraram uma série de esculturas, instalações e pinturas inspiradas na sua música – havia, por exemplo, uma árvore multimédia onde vários ecrãs mostravam imagens do artista distorcidas até este ser quase irreconhecível. “O meu meio de expressão preferido é a música”, explica o angolano, mostrando imagens do evento no seu portátil, “mas sou um artista.”

 

 

Samacaca, a primeira inspiração.

 

 

Apesar de hoje ser dono da Semba Comunicação, que produziu a telenovela Windeck, o documentário I Love Kuduro (em exibição nos cinemas portugueses) e todos os anos celebra contratos multimilionários com o Estado angolano, José Paulino soube sempre que não pertencia ao mundo da política e dos negócios. Com cinco anos destruiu os lençóis e cortinados de casa inspirado pelos estilistas da novela brasileira Ti Ti Ti. “Lembro-me da minha avó e da minha mãe terem ficado chateadíssimas. Mas eu só queria fazer roupa para os meus brinquedos, ser como aqueles dois designers.” Terá sido uma das primeiras vezes que José Paulino deu lugar a Coréon Dú.

 

 
Pouco tempo depois, pediu a um tio que lhe fizesse um corte de cabelo inspirado em Bobby Brown. “Foi considerado extravagante”, garante. “Chamaram os meus pais à escola e disseram que estava a ser uma má influência.” José Eduardo dos Santos e Maria Luísa Abrantes “não viram qualquer problema, até acharam querido, mas a sociedade angolana era muito conservadora e tinha certas normas. Queriam impor o cabelo curto, normal, para não destoar entre os outros.” José Paulino começou a ser vítima de bullying quando se mudou para Lisboa. “Era um momento particularmente xenófobo da história de Portugal, com uma certa resistência a tudo o que era estrangeiro e, sobretudo, das antigas colónias”, lembra. “Senti isso na pele, de forma severa, por parte de pessoas de todas as idades, desde os meus colegas da escola a pessoas na rua.”

 

 

Aos onze anos, mudou-se para os EUA com a mãe e os irmãos. Os problemas continuaram. Na escola, em Washington, os colegas gozavam com o seu sotaque britânico, o nome português, os hábitos diferentes ou o estrabismo. Quando se esqueceu de empurrar uma cadeira, a professora obrigou-o a ficar em pé durante toda a aula, dizendo: “Tenho a certeza de que estás habituado a ter empregadas em casa, mas aqui não sou a tua empregada.”

 

 

Entre os 12 e os 13 anos, viveu a fantasia de ser um escritor atormentado. “Não podes fazer algo mais alegre, mais leve?”, perguntava-lhe a professora de literatura, sobre os textos depressivos. “Não”, respondia-lhe, “é assim que me sinto.” Foi nessa altura que começou a vestir-se de forma diferente. Vestia-se de negro, “meio gótico, meio punk”, mas apenas longe dos olhares da mãe: “Quando saía de casa, lá punha o aparato todo.” Começou a pedir que lhe chamassem Coréon Dú.

 

 

Apesar de visitar Luanda todos os anos, só no final da guerra civil é que pôde conhecer o país. “Fui ao Sul, a Lubango, à floresta do Mayombe, a Cabinda… achava tudo fantástico.” Quando descobriu a Samacaca, um tecido tradicional, sentiu-se inspirado para fazer roupas. “Umas brincadeiras”, recorda, primeiro para si, depois para os primos, finalmente para os amigos. Foi desafiado para desenhar uma coleção e, no final do desfile, convidaram-no para a apresentar na Angola Fashion Week. Ainda era adolescente e já estava na maior mostra de moda angolana.

 

 

‘Artistas na família, não’

 

 

Com 16 anos, disse aos pais: “Quero ser artista.” E prosseguiu: “Vou estudar teatro musical, porque é isso que quero ser: um performer, fazer filmes, entrar em musicais da Broadway.” Dos pais, diz que recebeu “um ‘não’ redondíssimo.” Disseram-lhe: “Filho, podes ser médico, engenheiro, advogado, gestor, tudo isso. Agora, artistas, na família, não nos interessa.” Apesar dessa resposta, o angolano recorda que José Eduardo dos Santos foi compositor de uma banda nos anos 50 e 60 e escreveu letras para vários músicos. Diz também que vários dos seus seis irmãos – como Isabel, que a revista Forbes considera a primeira bilionária africana, ou José Filomeno (Zenu), que preside o Fundo Soberano de Angola e é apontado como o sucessor do pai – também têm apetências artísticas. “Quase todos cantamos ou tocamos algum instrumento. Eles receberam a mesma versão da conversa, mas eu fui aquele que disse: ‘Ótimo, então vou fazer o meu curso, e depois…'” Depois seria o fim de José Paulino dos Santos.

 

 

Durante o curso de gestão na Universidade de Loyola (Nova Orleães), ficou tão deprimido que começou a frequentar outra licenciatura, em ciências da comunicação, com foco em publicidade, porque “tinha uma componente criativa muito forte.” No final, mudou-se para a Europa e tirou um mestrado em Dança-Teatro na escola de dança Laban, em Londres.

 

 
Regressou a Luanda, onde ainda vive, com 22 anos, e criou a Semba Comunicação, juntamente com a irmã Welwitschea José dos Santos (Tchizé). Desde o primeiro ano que a empresa ficou responsável pela promoção de Angola no exterior, através de campanhas institucionais milionárias e do desenvolvimento do canal internacional da Televisão Pública de Angola (TPA). As campanhas, que passaram na CNN Internacional, foram encomendadas pela Agência Nacional de Investimento Privado (ANIP), cuja presidente é a mãe de Coréon e ex-mulher do Presidente de Angola. Segundo o site Maka Angola, do jornalista Rafael Marques de Morais, o Orçamento do Estado angolano do ano passado atribuiu à Semba quase 60 milhões de dólares para campanhas através do Gabinete de Revitalização e Execução da Comunicação Institucional e Marketing da Administração (CRECIMA) e outros 50 milhões para gestão de dois canais da TPA. No total, perto de 110 milhões de dólares (cerca de €87 milhões).

 

 
Em 2010, Coréon Dú era também acionista (10%) da Di Oro, empresa detida em 90% pela irmã Tchizé e o marido, quando José Eduardo dos Santos autorizou o prorrogação dos termos de uma concessão de diamantes, Projecto Muanga, a uma associação de quatro empresas, entre as quais as Di Oro. Já em 2005, dos Santos tinha prorrogado a exploração de outro negócio de diamantes, o Projecto Cabuia, a um consórcio do qual a empresa dos filhos fazia parte.

 

 

“Pago as minhas contas”, diz José Paulino, recusando acusações de favorecimento: “A oportunidade que tive foi o investimento dos meus pais na minha educação, numa época em que não era fácil.” O empresário garante que o arranque explosivo da Semba se deve a contactos feitos desde os 16 anos a produzir eventos. “Algumas pessoas olham para o percurso da Semba [e esquecem-se] que abriu com uma base de clientes. Se tinha um cliente para quem, aos 19 anos, tinha feito a festa de Natal, quando ele viu aquela estrutura começou a contratar-me para desafios mais sérios…” Coréon diz mesmo que ser filho do Presidente angolano tem, sobretudo, desvantagens: “Infelizmente, para mim cria mais impedimentos do que abre portas, sobretudo por estar no ramo criativo. Acham que não tenho integridade artística ou que sou um socialite aborrecido em busca de algo.”

 

 

Celebrar a diferença

 

 

A Semba também já chegou a Portugal. Não só através do documentário I Love Kuduro, do realizador Mário Patrocínio, e da novela Windeck, que passou na RTP, mas também da compra das revistas Lux, Lux Woman e Revista de Vinhos, no ano passado, pela luso-angolana Masemba, de que é sócia.

 

 
Coréon foi o responsável pela história da Windeck, que foi nomeada para um Emmy Internacional, e diz que tentou refletir na novela “a realidade urbana luandense.” Foi por isso que introduziu “a personagem principal, sem escrúpulos, que não olha a consequências para chegar ao topo económico e social, e temas que foram relativamente polémicos, como ter um casal homossexual, duas lésbicas, um personagem gay…”.

 

 

O músico diz que “apesar de Angola ser um país conservador, onde existe muito preconceito, as pessoas conseguem entender-se e respeitam o espaço umas das outras, ao contrário de sítios em África onde, infelizmente, se perseguem pessoas por terem uma determinada religião, grupo étnico ou orientação sexual.” Criado em escolas particulares, com aulas todo o ano, diz que não consegue ficar parado – e os negócios lucrativos dão-lhe tranquilidade para se dedicar à carreira musical. No primeiro álbum, Coréon Experiment, cantou um dueto com Luciana Abreu. Editou depois um álbum com misturas desses temas e, já em 2014, lançou o segundo disco de originais, Binário.

 

 

Tanto canta kuduro como pop, semba, kizomba ou música de dança. “Não me limito a um género musical, porque a minha música tem mais a ver com o sentimento que quero transmitir”, explica. “Reduzir-me a um género seria trair-me como artista.”

 

 

Diz que os episódios de bullying e o preconceito por ser filho do Presidente o inspiram. “Tento transformar estas memórias em algo que dê força e autoestima, para permitir que cada um celebre a sua forma de ser e a sua criatividade.” É por isso que se revê no kuduro, que entende ser “o único género angolano, não só musical mas cultural, que celebra a diferença.”

 

 
No início, os pais não iam aos seus espetáculos. “Diziam que não gostavam”, lembra. Nos últimos anos, no entanto, começaram a aparecer, sem dizer nada. Amigos e colegas diziam-lhe depois que tinham visto o pai ou a mãe na plateia. “No mundo ideal, preferiam que tivesse sido engenheiro ou médico, mas tiveram de render-se às evidências”, explica. “O que os convenceu foi a minha persistência. Quando tinha cinco anos queria ser artista, quando tinha dez, quando tinha 16… E depois de acabar a faculdade continuava a querer ser artista.”

 

 
Em 2011, o Governo angolano contratou a Orquestra Clássica da Madeira, dirigida pelo Maestro Rui Massena, para o concerto do dia da Independência. Foi José Paulino que entrou em palco: nervoso, tímido. Mas quando cantou o tema tradicional Kambuta, de impecável smoking azul, era já Coréon Dú, o artista. Na plateia, os olhos de José Eduardo dos Santos brilhavam.

 

 
Alexandre Soares, em Nova Iorque

 

 
VISÃO 1128

 

 

 

Há uma nova teoria sobre os buracos negros – eles não existem

23/02/2015

 
Física. Uma professora norte-americana publicou uma teoria que, caso seja provada, pode obrigar a reescrever algumas leis da física.

 
Uma cientista norte-americana publicou novos cálculos que, caso se confirmem, podem revolucionar várias teorias da física. A conclusão do estudo de Laura Mersini-Houghton, professora de física na UNC-Chapel Hill — College of Arts and Sciences (EUA) — é perentório: os buracos negros não existem nem podem existir.

 
Os buracos negros formam-se aquando da morte de alguns tipos de estrelas e a sua existência é genericamente aceite pela comunidade científica. Resulta basicamente de duas doutrinas: a teoria geral da relatividade, de Einstein, e a mecânica quântica, fundamentada por Stephen Hawking nos anos 1970 ao defender que os buracos negros têm de emitir radiação — que entretanto recebeu o seu nome. Os cientistas procuraram e encontraram a “radiação Hawking”, assumindo como prova da existência dos buracos negros. Mas eles nunca foram vistos nem tal é possível, uma vez que se tratam (em teoria) de estruturas tão densas e com uma força gravitacional tão elevada que absorvem tudo à sua volta, inclusive a luz.

 
Se por um lado Einstein sugere a existência teórica dos buracos negros, por outro há uma lei fundamental da teoria quântica que determina que nada no universo pode “desaparecer”, o que entra em conflito com a definição de buraco negro — uma estrutura que engole tudo à sua volta. Os cientistas defendem também que as singularidades ali existentes são tão complexas que as leis da física não se aplicam. A professora Laura Mersini-Houghton justifica que, de acordo com os seus cálculos, quando uma estrela colapsa sobre a sua própria gravidade e emite a “radiação de Hawking”, essa energia dissipa a massa do objeto, pelo que a estrela perde densidade, não sendo possível que se transforme num buraco negro.

 
A descoberta de Laura Mersini-Houghton (vídeo), caso seja provada, pode bem obrigar a reescrever muitas teorias da física — e da ficção científica. Resta saber como é que a comunidade científica vai reagir a esta descoberta.

 

 

Ilustração: Getty Images
Autor: Pedro Esteves

 

 

 

Cientistas descobrem dois planetas com características semelhantes às da Terra

23/02/2015

 

 

Chamam-se Kepler-438b e Kepler-442b, são ligeiramente maiores do que a Terra e podem possuir uma temperatura suficiente para que a maior parte da sua água não congele ou se evapore.

 
Kepler-438b tem um diâmetro 12% maior que a Terra e uma probabilidade de 70% de ser rochoso, segundo os cientistas.

 
Um grupo de cientistas do Centro Harvard-Smithsonian para a Astrofísica nos Estados Unidos anunciou nesta terça-feira a descoberta de oito novos planetas fora do Sistema Solar. Entre os novos planetas, encontram-se o Kepler-438b e o Kepler-442b que, segundo os pesquisadores, são os mais parecidos com a Terra encontrados até ao momento na história do estudo do espaço. O anúncio foi realizado num encontro da American Astronomical Society em Seattle.

 

 

“Não sabemos se algum destes planetas são realmente habitáveis, tudo o que podemos dizer é que são candidatos promissores”, afirmou David Kipping, um dos autores do estudo em conferência de imprensa.

 

 

O Kepler-438b tem um diâmetro 12% maior do que a Terra e uma probabilidade de 70% de ser rochoso, segundo os cientistas. O planeta realiza uma volta em torno da sua estrela em 35 dias e recebe 40% mais de luz que o nosso planeta. O Kepler-438b tem 70% de hipóteses de estar na zona habitável da sua estrela. Já o Kepler-442b é três vezes maior do que a Terra, tem 60% de hipóteses de ser rochoso e realiza a sua translação a cada 112 dias. Os cientistas não sabem se estes planetas têm atmosferas, mas caso estejam revestidos por camadas isolantes de gases, as suas temperaturas médias podem ser de cerca de 60 e 0 graus Celsius, respetivamente.

 

 

Estes três parâmetros são os fatores mais importantes para que os cientistas calculem a hipótese de um planta ser habitável: ser rochoso, que o seu tamanho seja próximo ao da Terra e que tenha uma temperatura suficiente para que a maior parte da sua água não congele ou se evapore.

 

 

Os oito novos planetas foram descobertos pelo telescópio Kepler e localizam-se numa zona conhecida como Goldilocks, zonas habitáveis no universo por reunirem um conjunto de constantes físicas universais dentro de um intervalo pequeno e que favorecem o desenvolvimento de vida. Antes desta descoberta, o exoplaneta mais parecido à Terra era o Kepler 186f, que é 10% maior que o nosso planeta e que recebe três vezes mais luz da sua estrela.

 

 

Os cientistas, no entanto, são conservadores sobre a possibilidade de chegar a Kepler-438b e Kepler-442b. Os dois planetas encontram-se a 470 e 1,000 anos-luz da Terra – um ano-luz equivale aproximadamente a 9.461.000.000.000 quilómetros.

 
Ilustração: David A Aguilar/CfA

 

 
Autor: Milton Cappelletti

 

 

 

Descobertos dois novos planetas no Sistema Solar

23/02/2015

 
Astronomia. Cientistas da Universidade de Cambridge e de Madrid dizem ter descoberto provas da existência de pelo menos dois novos planetas para lá de Plutão.

 

A nova descoberta poderá ajudar a encontrar respostas para as dúvidas que ainda persistem sobre a formação do nosso Sistema Solar.

 

Cientistas da Universidade de Cambridge e da Universidade Complutense de Madrid garantem ter descoberto provas da existência de, pelo menos, dois outros planetas no nosso Sistema Solar. Esta descoberta poderá ajudar a responder a questões que ainda subsistem em relação à sua formação.

 

A equipa de investigadores estudou as órbitas de vários corpos celestes que se encontram para lá de Neptuno. O resultado foi a descoberta de 13 objetos, planetas anões como Plutão e Senda, que fazem a sua órbita em torno do Sol, percorrendo grandes distâncias e descrevendo uma trajetória elíptica. Mas podem ser mais.

 

“O número exato é uma incerteza, visto que a informação a que temos acesso é limitada. Os nossos cálculos sugerem que existem pelo menos dois planetas dentro dos limites do nosso sistema solar”, escreveu Carlos de la Fuente Marcos, o responsável pela investigação, em comunicado. Mesmo assumindo as dificuldades técnicas de apurar com exatidão o número de planetas que se encontram para lá de Plutão, os investigadores acreditam que “o número é, provavelmente, superior”.

 

Mas como chegaram os cientistas a esta conclusão? Através da análise da alteração das órbitas dos corpos celestes que se encontram para lá de Neptuno. “O excesso de objetos com parâmetros orbitais inesperados faz-nos acreditar que forças invisíveis estão a alterar a distribuição dos elementos orbitais dos TNO [Trans-Neptunian Object]. Consideramos que a explicação mais provável [para este fenómeno] é a existência de outros planetas para lá de Neptuno e de Plutão”, afirmou Carlos de la Fuente Marcos.

 

Os resultados do estudo foram publicados na Monthly Notices of the Royal Astronomical Society Letters, uma revista criada em 1827, dedicada à astronomia e à astrofísica.

 

 

Ilustração: AFP/Getty Images

 
Autor: Miguel Santos

 

 

 

 

Assembleia municipal aprova voto de protesto por causa de escalas técnicas de voos

02/03/2015

 

 

A Assembleia Municipal de Vila do Porto aprovou por unanimidade um voto de protesto “pela alteração de posição do Governo Regional dos Açores em relação às escalas técnicas de aeronaves nos Açores”, revelou hoje o PSD local.

 
Segundo o texto aprovado, a Assembleia Municipal de Vila do Porto considera que o plano de revitalização da economia da ilha Terceira, apresentado recentemente pelo executivo açoriano por causa da redução da presença norte-americana na base das Lajes, altera aquilo que sempre foi afirmado pelas autoridades regionais em relação a Santa Maria, ou seja, que esta é a ilha “de referência” para as escalas técnicas no arquipélago.

 
O voto, aprovado por PSD, PS e PCP, lembra que o plano para a Terceira prevê, entre outras coisas, a criação de um “pacote de incentivos de atração de escalas técnicas” para o aeroporto das Lajes ou reduções de 50% para as taxas aeroportuárias na Terceira.