Duarte Cordeiro, vice presidente da Câmara de Lisboa, substitui Ascenso Simões na campanha do PS

Duarte Cordeiro (ao centro na foto), atual vice-presidente da Câmara de Lisboa e que foi diretor de campanha de Manuel Alegre para as Presidenciais de 2011, substitui Ascenso Simões na campanha do Partido Socialista para as legislativas.

 

A informação foi avançada pelo PS este domingo, minutos depois do anúncio do pedido de demissão de Ascenso Simões. Duarte Cordeiro será substituído na CML até ao final da campanha.

 

Duarte Cordeiro é um dos que se têm denominado como “jovens turcos” do PS, um grupo de militantes de uma nova geração que se tem imposto como influente nas estruturas do partido. Ex-deputado, Duarte Cordeiro integrou a última lista de candidatos do PS à autarquia da capital, substituindo Fernando Medina como vice-presidente depois da saída de Costa para a liderança do partido.

 

É visto como pragmático, ambicioso – e já tem experiência na coordenação do aparelho: é líder da concelhia do PS/ Lisboa, foi líder da JS e foi diretor de campanha da última eleição de Costa em Lisboa. Já Ascenso, é um dirigente dos velhos tempos da influência de Costa – mais precisamente, do tempo de António Guterres, quando chegou ao Governo como seu secretário de Estado.

 

A subida de Duarte Cordeiro, em substituição de Ascenso Simões, está a ser – sabe o Observador – bem recebida por muitos militantes, descontentes com a forma como estava a decorrer a campanha socialista. Os casos mais difíceis das últimas semanas envolvendo a campanha deoutdoors foi determinante, aliás, para a saída de Ascenso.

 

Começou com um que virava uma página em direção à esperança (criticado pela imagem), passou por um cartaz em que uma mulher dizia estar desempregada há cinco anos (desde o tempo de Sócrates, portanto) e terminou com a denúncia de que os jovens desses últimos cartazes trabalhavam na Junta de Arroios, não tinham as histórias que lá se contavam e nem deram autorização para utilização da sua imagem –como noticiou o Observador em primeira mão na sexta-feira.

 

Uma demissão (ainda) mal contada

 

Curiosamente, na noite de sábado, horas antes de anunciar a sua demissão, Ascenso Simões não dava sinais de que iria sair da coordenação da campanha.

 

Na sua página no Facebook, lembrava que, quando chegou ao Ministério da Administração Interna em 2005, estava descontrolada a situação dos incêndios. E fazia um paralelo com os dias de hoje, onde também era preciso enfrentar os desafios de cabeça erguida. Na caixa de comentários, Ascenso respondia a um socialista que lhe dizia que estava destinado a missões difíceis – e dizia que “se não fosse difícil”, não seria para ele.

 

Este domingo de manhã, porém, na mensagem seguinte, Ascenso fez um novo texto apresentando a sua demissão e explicando que “quem é responsável por uma máquina deve assumir todas as falhas que ela demonstra, deve tirar ilações de tudo o que, publicamente, se reconhece como erro.”

 

Recorde-se que, quando o Observador contactou o PS para comentar a última polémica dos cartazes, a resposta oficial era de naturalidade – dizendo que nos cartazes estavam modelos e não casos reais. Só passado algumas horas o PS emitiu um comunicado pedindo desculpa e dizendo que ia investigar o que se tinha passado.

 

 

Liliana Valente/OBS/9/8/2015

 

 

 

Apoiantes e opositores de José Sócrates geraram tensão junto à prisão de Évora

Apoiantes e opositores de José Sócrates cruzaram-se esta tarde junto à prisão de Évora, em duas manifestações, e, com os ânimos exaltados, trocaram alguns insultos.

 

De um lado, cerca de 30 pessoas afetas ao Partido Nacional Renovador (PNR) gritavam “Nacionalismo Sempre” e “Sócrates ladrão”, por outro, outros tantos apoiantes do antigo primeiro-ministro, detido preventivamente na cadeia de Évora, entoavam “25 de Abril Sempre, fascismo nunca mais”.

 

Os elementos do PNR estão concentrados à porta da prisão desde a hora de almoço, hora de início da manifestação que convocaram, enquanto os apoiantes do antigo chefe de Governo estão afastados algumas centenas de metros, numa manifestação marcada pelo Movimento Cívico José Sócrates Sempre.

 

Por duas vezes, pessoas afetas ao PNR subiram para cima de uma carrinha que transportava um cartaz com a imagem de José Sócrates e colaram autocolantes, empunharam bandeiras e gritaram palavras de ordem, tendo alguns caído, sem consequências graves, quando a viatura arrancou.

 

Viveram-se alguns momentos de tensão, com troca acesa de palavras entre apoiantes e opositores de Sócrates, mas sem se registarem quaisquer agressões.

 

Nas imediações da prisão encontravam-se, a meio da tarde, cerca de uma dezena de agentes da PSP de Évora.

 

Em declarações à agência Lusa, o porta-voz do Movimento José Sócrates Sempre, José António Pinho, acusou os elementos afetos ao PNR de provocação e de suposta agressão a uma participante na manifestação de apoio ao ex-primeiro-ministro.

 

“Assaltaram a nossa viatura apenas para provocar e chegaram a agredir uma senhora”, disse, atribuindo culpas à PSP de Évora pela confusão gerada: “A PSP é responsável por esta situação, porque estávamos sozinhos” no local.

 

Para José António Pinho, tratou-se de uma provocação organizada por um partido, cujos elementos “têm nomes e devem ser todos presos”.

 

Por seu lado, o presidente do PNR, José Pinto Coelho, refuta estas acusações, devolvendo que a provocação é o que se assiste à porta da prisão.

 

“Gostava de saber quem paga aqueles carros de som, os autocarros e os outdoors. Onde estão as faturas disso? É mais uma trafulhice à Sócrates.

 

No decorrer das manifestações, uma apoiante do PNR sentiu-se mal, tendo recebido assistência do INEM, no local.

 

Perto de 30 apoiantes do PNR chegaram junto do Estabelecimento Prisional de Évora cerca das 12:30, alguns almoçaram no local e prolongaram a sua concentração até à chegada dos manifestantes de apoio a José Sócrates.

 

No local permanecem ainda apoiantes do PNR, enquanto os apoiantes de José Sócrates estão a realizar uma marcha à volta da prisão, sob vigilância de vários elementos da PSP.

 

José Sócrates foi detido a 21 de novembro de 2014 indiciado por fraude fiscal qualificada, branqueamento de capitais e corrupção passiva para ato ilícito, sendo o único dos nove arguidos das “Operação Marquês” em prisão preventiva.

 

O empresário Carlos Santos Silva, o administrador do grupo Lena Joaquim Barroca, o ex-motorista de Sócrates João Perna, o administrador da farmacêutica Octapharma Paulo Lalanda de Castro, a mulher de Carlos Santos Silva, Inês do Rosário, o advogado Gonçalo Trindade Ferreira, o presidente da empresa que gere o empreendimento de Vale do Lobo, Diogo Gaspar Ferreira e o ex-ministro Armando Vara são os outros arguidos no processo.

 

No sábado, o Observador já tinha avançado com a hipótese de este encontro entre apoiantes e opositores de José Sócrates vir mesmo a acontecer. Na altura, contactou a Polícia de Segurança Pública (PSP) para perceber se estavam previstas medidas de segurança extraordinárias, mas não foi possível obter esclarecimentos. Este domingo, de acordo com Agência Lusa, encontravam-se cerca de uma dezena de agentes da PSP de Évora nas imediações da prisão.

 

Num texto publicado no Facebook, o PNR explicava que ia estar em Évora para “denunciar estas palhaçadas de apoio a Sócrates e ser a voz do contraditório!”. Já a iniciativa organizada pelo grupo de apoiantes do ex-primeiro-ministro, “Agosto em Évora”, é mais um protesto contra aquilo que o movimento considera ser uma prisão com “contornos políticos”, com o objetivo de “diminuir e humilhar o caráter de uma grande figura nacional” e ainda “prejudicar o partido socialista nas próximas eleições”.

 

José Sócrates foi detido a 21 de novembro de 2014, no aeroporto de Lisboa e está indiciado por fraude fiscal qualificada, branqueamento de capitais e corrupção passiva para ato ilícito, sendo o único dos nove arguidos das “Operação Marquês” em prisão preventiva.

 

O empresário Carlos Santos Silva, o administrador do grupo Lena Joaquim Barroca, o ex-motorista de Sócrates João Perna, o administrador da farmacêutica Octapharma Paulo Lalanda de Castro, a mulher de Carlos Santos Silva, Inês do Rosário, o advogado Gonçalo Trindade Ferreira, o presidente da empresa que gere o empreendimento de Vale do Lobo, Diogo Gaspar Ferreira e o ex-ministro Armando Vara são os outros arguidos no processo.

 

Miguel Santos/OBS/Lusa/9/8/2015

 

 

 

Supremo confirma pena disciplinar ao juiz Rui Teixeira por rejeitar acordo ortográfico

O Supremo Tribunal de Justiça (STJ) confirmou a pena disciplinar de “advertência registada” aplicada ao juiz Rui Teixeira, que se recusou a receber um documento escrito ao abrigo do novo acordo ortográfico.

 

Segundo um acórdão, o STJ julgou improcedente o recurso interposto pelo juiz do Tribunal de Torres Vedras, que pretendia a anulação da pena aplicada pelo Conselho Superior de Magistratura (CSM).

 

 

Rui Teixeira, que ficou conhecido por ter conduzido a instrução do processo Casa Pia, foi alvo de um processo disciplinar por parte do CSM, que culminou com a sua condenação por violação dos deveres de obediência e correção.

 

 

Em causa estava o facto de o magistrado ter proferido em 2013 vários despachos a advertir a Direção Geral de Reinserção Social (DGRS) de que deveria apresentar os relatórios sociais de arguidos sem adoção do acordo ortográfico, sob pena de os mesmos não serem pagos.

 

 

Com esta decisão, o juiz Rui Teixeira contrariou uma deliberação do CSM que, em 2012, tinha determinado que os juízes não podiam indicar aos intervenientes processuais quais as normas ortográfica a aplicar.

 

 

Ao ser confrontado com um pedido de esclarecimento por parte da coordenadora da equipa da DGRS “Pinhal Litoral”, o juiz respondeu que “o pedido de aclaração deriva mais do que do desconhecimento das Leis que nos regem da incapacidade de leitura de quem subscreve o pedido de aclaração”.

 

 

“Se se tivesse lido o que se deixou escrito, facilmente se teria chegado à conclusão que o que se quer é que o relatório a produzir seja escrito em Português”, escreveu na altura o juiz, acrescentando que “nos Tribunais, pelo menos neste, os factos não são fatos, as actas não são uma forma do verbo atar, os cágados continuam a ser animais e não algo malcheiroso e a Língua Portuguesa permanece inalterada até ordem em contrário”.

 

 

O STJ concluiu que o juiz Rui Teixeira violou o dever de obediência, ao “impor à DGRS a elaboração do relatório social do arguido sem adoção de acordo ortográfico”.

 

 

“Sobre o manto da função jurisdicional não podem estar incluídas posições pessoais estranhas ao objeto do processo, por isso se conclui que a concreta atuação do recorrente não se insere no âmbito da função jurisdicional”, lê-se no acórdão.

 

 

Os juízes que integram a Secção de Contencioso do STJ criticaram ainda as expressões utilizadas pelo juiz na resposta ao pedido de aclaração, considerando-as “excessivas” e “desnecessárias”, concluindo que o recorrente violou o dever de correção.

 

 

Obs/7/8/2015

 

 

 

Sporting foi superior no dérbi com o Benfica e conquista Supertaça Cândido de Oliveira 2015

Deve ser tramado, porque dizem que é bom. O momento em que a bola aparece, bem-disposta, a pôr-se a jeito de um pé que lhe bata, numa palmada que só é carinhosa por ter a intenção de a fazer aninhar numas redes. Dizem mesmo que é do melhor que há. Até “melhor do que um orgasmo”, chegou a dizer Fernando Gomes, homem sábio quando a conversa é sobre marcar golos.

 

 

A sensação será sempre boa e Teófilo Gutiérrez sentiu-a quando fez o que a bola pedia e lhe encostou o pé direito. Lá foi ela, rápida, para dentro da baliza. Braços no ar, gritos no estádio, festejos, sorriso a rasgar a cara. Tudo assim, de uma vez, mas só durante o segundo que o árbitro demorou a pegar no apito, levá-lo à boca e a soprá-lo. Do êxtase à tristeza, num ápice.

 

 

E Teófilo bem tivera tempo para acumular euforia. O colombiano, homem a quem pedem para marcar golos, ia com 23 minutos jogados de Supertaça quando rematou a bola para a baliza e o árbitro lhe anulou o golo. Fora-de-jogo, disse o fiscal de linha. Nada feito.

 

 

A vida continua e o jogo também. Aos leões convinha regressarem à maneira como tinham arrancado a final: acelerados, com todos a pressionarem como loucos quanto não tinham a bola e a mexerem-se como coelhos irrequietos quando alguém leonino estava com ela. Apertavam os jogadores encarnados, obrigavam-nos a apostar nos centrais para começarem a construir coisas.

 

 

Isso durou e resultou até pouco depois do quarto de hora, até o Benfica começar a levantar a cabeça e encontrar a cabeça de Jonas. Ao brasileiro, craque nos pés, faltou uns centímetros de testa aos 17’ para chegar a um cruzamento de Ola John e umas afinadelas na mira aos 23’, quando cabeceou uma bola vinda de um canto de Gaitán ao lado do poste esquerdo da baliza de Rui Patrício.

 

 

A intensidade podia ser um bem produzido na fábrica dos leões, mas as oportunidades para um golo aparecer vinham da indústria cautelosa dos encarnados — que até ao intervalo sempre foram esperando pelo que o Sporting lhes queria fazer. Só depois de saberem o que era é que decidiam o que fazer depois. Ou seja, contra-atacar.

 

 

Porque Jonas andava muito sozinho, sem a companhia de Talisca. A bola não queria nada com Nico Gaitán, quem melhor a trata, e Samaris e Fejsa tinham tanta coisa para fazer a defender que já chegavam tarde à frente quando lhes pediam para atacar. Rui Vitória deve ter reparado nisto e, findo o descanso, pediu a Gaitán para dar uma sombra a Jonas e a Talisca para se fazer de extremo. Não resultou, já que o Sporting arrancou a segunda parte mais frenético do que começara a primeira.

 

 

E quando o treinador do Benfica já tinha Pizzi a aquecer os músculos para ir remediar coisas, um colombiano já tocava no êxtase sem que o árbitro lhe pregasse uma partida.

 

 

Lá estava Téfilo Gutiérrez, na área, parado, à espera de algo, quando André Carrillo, o irrequieto a quem Jorge Jesus está a dar pausa e tempo para pensar no que faz, decidiu rematar à entrada da área. A bola bateu no colombiano, que ali estava parado, e encontrou o atalho que a fez desviar do braço esticado de Júlio César.

 

 

O golo que Téo queria ter marcado era compensado por outro que marcava sem querer. O 1-0 aparecia com sorte e os leões festejaram, com pulos e correrias vindos do banco de suplentes, empurrados pelo frenesim que, agora sim, podiam deixar explodir. Era a hora para o Benfica despertar.

 

 

O acordar foi rude, brusco como um despertador que toca com a música que mais odiamos. Os encarnados tinham que reagir e fizeram-no. Talisca foi embora e Pizzi entrou para a bola circular mais rápido.Aconteceu, só que ela andou muito pelas laterais. Jonas continuava incontactável, com as botas desligadas da bola — os médios leoninos, João Mário e, sobretudo, Adrien Silva, cortavam-lhe a rede — e a solução era obrigar os laterais, Sílvio e Nélson Semedo, a arriscarem no ataque para darem uma ajuda aos extremos.

 

 

O Benfica passou a cruzar muito, a encostar o Sporting à área, a obrigá-lo a encolher-se. Os muitos cruzamentos nunca encontraram uma cabeça ou pé encarnados. Nada saía que criasse perigo, portanto, Nico Gaitán tentou inventá-lo sozinho.

 

 

O argentino teve umas quantas jogadas de eu-contra-o-mundo e quase sempre resultou em algo — fintas, faltas sofridas, metros de relva ganhos. E podia ter dado um penálti, quando foi derrubado aos 60’ na área, por Carrillo, mas o árbitro não apitou.

 

 

Osencarnados atacavam com um ritmo desenfreado, mas faziam-no sem um volante que controlasse bem a direção a que seguiam. Melhorou um pouco quando Mitroglou se estreou e os pés de Jonas recuaram uns metros para dar ordem à bola. Mas por pouco.

 

 

Quando, aos 78′, o avançado brasileiro usou a canhota para colocar a bola no fundo da baliza e o árbitro lhe anulou o golo pela falta de vários corpos a chocarem contra Rui Patrício, o Benfica já tinham abrandado o ímpeto. Os leões, passados quase 20 minutos desde o golo, lá conseguiram acalmar e voltar a dizer olá à bola.

 

 

Jorge Jesus berrava, gesticulava para refilar com os jogadores e colocá-los nas posições para conseguirem trocar a redonda e fazê-la rodar de um lado ao outro do campo. Abusavam de Carrillo para o peruano colar a bola ao pé e passear com ela, confiavam em Adrien Silva para tapar buracos, pediam Slimani para não parar de chatear os defesas encarnados. Também isso resultou.

 

 

Quando o árbitro apitou não houve quem pregasse truques a Teófilo com a quem quer que vestisse de verde e branco — a Supertaça era do Sporting.

 

 

Os jogadores, todos, inundaram o relvado e aí viu-se de tudo: Jorge Jesus, rindo-se, a dar uma palmada meia no peito, meia no pescoço de Jonas; um sururu a vir daí, com tudo a pegar-se; um Rui Patrício aos berros, a chamar pelos leões para que fossem festejar para a bancada onde estavam os seus; Rui Costa, igual, irritado e aos gritos, a pedir para que os encarnados fizessem o mesmo.

 

 

O êxtase de uns e a tristeza de outras, quando misturada, pode dar nisto. No final, JJ lá voltou a atiçar a fogueira quando ainda estava no relvado — “Acho que o Benfica teve medo do Sporting”, disse, à RTP — e, minutos depois, os leões erguiam o troféu no qual não tocavam desde 2008. E depois, Teófilo, feliz da vida, foi o primeiro a passear com o caneco pelo relvado.

 

 

Só faltava a Federação Portuguesa de Futebol decidir atribuir o golo a André Carrillo e pregar mais outra partida, ou desgosto, ao colombiano. E não é que o fez mesmo?

 

 

AFP/OBS/9/8/2015

 

 

 

 

Economistas dizem que o assunto Grexit vai voltar a dominar as atenções em 2016

 

saída da Grécia da zona euro, risco que ficou conhecido nos últimos meses como Grexit, continua a ser o cenário mais provável aos olhos de dezenas de economistas. Uma sondagem da Bloomberg junto de 34 economistas revelou que 71% dos inquiridos acreditam que o país estará fora da união monetária antes do final de 2016. Apesar do acordo com vista ao terceiro resgate, não será, portanto, surpreendente se voltarmos a ver este risco dominar as manchetes internacionais dentro de alguns meses.

 

 

Segundo a Bloomberg, 70% dos inquiridos nesta sondagem acreditam que não existe uma ameaça clara à permanência da Grécia na zona euro até ao final de 2015, ainda que quase metade dos economistas acredite que os 86 mil milhões de euros do terceiro resgate que está a ser negociado não chegarão para que a Grécia não volte a ter dificuldades de financiamento nos próximos anos.

 

 

Alexis Tsipras continua a promover a aprovação no Parlamento da legislação exigida pelos credores para que tenham lugar as negociações do terceiro resgate. Estas terão de ser concluídas nas próximas semanas porque os 7,2 mil milhões de euros do empréstimo intercalar que a Grécia recebeu da Europa não chegam para cumprir o pagamento de cerca de 3,2 mil milhões de euros em dívida que a Grécia tem de reembolsar ao BCE no dia 20 de agosto.

 

 

Ao mesmo tempo que avança com a legislação, contudo, o primeiro-ministro grego diz que não acredita nos méritos deste programa, pelos efeitos recessivos das medidas impostas. Essa falta de confiança de Tsipras no programa que o seu governo terá de começar a aplicar será um dos fatores que contribuem para a desconfiança dos economistas. Vários analistas acreditam que, perante a instabilidade dentro do partido Syriza, o país voltará a ter eleições legislativas no outono.

 

 

Também no próximo outono haverá eleições legislativas em Portugal (no final de setembro ou início de outubro) e em Espanha (em finais de dezembro).

 

 

ORESTIS PANAGIOTOU/EPA/7/8/2015

 

 

 

 

Num debate entre os dez candidatos mais bem cotados, Donald Trump voltou a dar show político

Se havia dúvidas, terminaram esta noite: o Partido Republicano está refém de Donald Trump e das suas opiniões sem filtro. Foi com ele que começou e terminou o debate, foi sobre ele que os americanos maispesquisaram durante a emissão.

 

 

A Fox, estação conservadora por excelência no panorama noticioso americano, recebeu os candidatos mais bem colocados nas sondagens para uma discussão entre todos que foi ritmada, mas com pouca profundidade. O formato de debate a dez não é brilhante, mas junta todos num mesmo palco e resulta bem para efeitos de espetáculo.

 

 

As perguntas são despachadas individualmente, poucas vezes é possível responder diretamente, não há tempo para hesitações nem improviso e os candidatos tentam dizer o que ensaiaram sem se enganar.

 

 

Não é possível ter um debate político nem sequer uma discussão aberta, são apenas mini-discursos feitos para aqueles que já são fãs de cada candidato. Daí as palmas que se ouviam da enorme plateia dividida entre os apoiantes.

 

 

Foi com Trump que o debate começou. Quando foi perguntado aos dez candidatos se algum admite concorrer de forma independente, só uma mão se levantou: Donald John Trump. Sem problemas, disse que quer o apoio republicano mas que se não o tiver, quer concorrer de forma independente.

 
Ao longo da noite disse que ele, “tal como a América”, não tem “tempo para ser politicamente correto” e por isso não se arrepende dos variados insultos a mulheres. Que também não se arrepende de ter entrado em bancarrota quatro vezes, até porque soube “explorar as leis” da nação a seu favor. E que tem todos os opositores na mão porque lhes deu dinheiro no passado – incluindo Hillary, que só foi ao seu casamento “obrigada”, visto que tinha aceitado dinheiro das empresas Trump.

 

 

A primeira ronda de perguntas foi sobre as opções políticas recentes de cada candidato. A segunda ronda de perguntas foi sobre a imigração ilegal, que é basicamente um tema Trump; depois passou-se à política externa e à discussão sobre o papel do Estado Islâmico. E aqui a impreparação de alguns candidatos começou a ser clara, com recusas em responder a questões frontais e a usar táticas de diversão, como insultar Hillary Clinton, para evitar clareza.

 

 

Ainda assim, houve novidades: Um candidato quer construir um muro para estancar a imigração dos mexicanos (Trump), outro quer impedir também os túneis debaixo da fronteira (Rubio), outro queixa-se do “Cartel de Washington” (Cruz).

 
Há candidatos que se sentem capazes de destruir o Estado islâmico em 90 dias (Cruz). Outro quer repor o direito a torturar prisioneiros (Carson). E há outro ainda que quer fazer uma nova parceria privilegiada com a Arábia Saudita (Walker).

 

 

Nas questões económicas houve pouca clareza e apelos vagos ao regresso do crescimento económico. Um candidato garantiu 19 milhões de empregos através de investimento em projetos energéticos estratégicos (Bush), outro garantiu uma reforma de imposto “sem falhas” em que todos pagam dez por cento dos rendimentos (Carson).

 

 

Nos assuntos sociais, a unanimidade foi mais fácil de encontrar. São todos pró-vida e contra o casamento homossexual, chegando à Casa Branca querem alterar o primeiro mas não o segundo – sempre de acordo com a lei divina que dizem receber das escrituras. E prometem usar a Constituição para limitar problemas raciais. As audiências na internet reagiram assim ao debate, de acordo com a Google.

 

 

Mike Huckabee fechou em grande, resumindo o que se passou: “Este debate parece ter sido sobre uma pessoa que está muito bem colocada nas sondagens, que não faz ideia sobre como governar, que tem uma vida cheia de escândalos e que não sabe liderar. Estou obviamente a falar de Hillary Clinton”.

 
Esta frase poderia propositadamente ter fechado com outro nome e por isso foi recebida com palmas e risos na audiência. Mas é esse nome, Donald Trump, quem lidera as sondagens e as atenções na corrida republicana e é contra ele que os outros candidatos têm de lutar. Os mais moderados pareceram ser Rubio e Bush, mas isso não é garantia de eleição num partido republicano mais conservador graças às duas derrotas nas últimas corridas à Casa Branca.

 

 

Ainda faltam 15 meses e muito vai decerto acontecer na luta política ao lugar de topo da política americana, até porque quem ganhar nos republicanos terá de combater o candidato democrata – onde por enquanto quem parece liderar tranquilamente é Hillary Clinton.

 

 

Obs/TPT/7/8/2015

 

 

 

Trabalhador da Portucel dedicou os seus tempos livres aos estudos e já é três vezes doutor

Augusto Marques, de 59 anos, é, há 37 anos, funcionário da Portucel, em Cacia, Aveiro, onde também vive. Como recepcionista de materiais, conta dezenas de camiões, carregados de madeira, por dia. E foi sempre nos tempos livres que arranjou espaço para os estudos. Garante que nunca o fez em busca de “valorização profissional”, mas sim “pessoal”.

 

 

“Foi um vício que ganhei”, assume Augusto, que recebeu, na Universidade de Aveiro, o seu terceiro diploma, relativo ao curso que concluiu em setembro do ano passado.

 

 

Quando terminou o Ensino Secundário, Augusto começou logo a trabalhar na Portucel. Mas, pouco depois, como trabalhador estudante, inscreveu-se no Instituto Superior de Contabilidade e Administração de Aveiro. Demorou muitos anos a concluir essa primeira licenciatura. Tantos que lhes perdeu a conta. Mas terminou, em 1998.

 

 

“Faltava-me uma cadeira e prometi ao meu santo protetor, ao S. Gonçalinho, que lhe dava determinado montante por cada valor que tivesse acima de 10. Acabei com 18. Ele cumpriu e eu também. Quando fui pagar a promessa, o senhor que recebeu o dinheiro disse que nunca tinha visto ninguém dar tanta esmola ao santo”, recorda Augusto, emocionado.

 

 

Quando se viu livre dos estudos, o rececionista da Portucel não se sentiu aliviado. Faltava-lhe qualquer coisa. Pelo meio, fez apenas um interregno, para construir, com a ajuda de um vizinho, a casa onde hoje vive com a mulher e com os dois filhos, de 19 e de 14 anos.

Augusto Marques, trabalhador da Portucel, dedicou os seus tempos livres aos estudos e já é três vezes doutor 2

 

Depois, voltou o “bichinho” dos estudos. “Meti-me no segundo curso porque dei por mim a precisar de ocupar o tempo livre que tinha entre os turnos na fábrica. E fui para Economia em parte porque apostei, por brincadeira, com uma amiga, que acabava aquele curso primeiro do que ela. E assim foi. Terminei-o em 2011”, garante Augusto Marques.

 

 

Administração Pública veio logo de seguida e, em três anos, Augusto, o eterno estudante, conseguiu arrecadar o seu terceiro “canudo”.

 

 

Sem estudar desde setembro, já se inscreveu num instituto de Inglês. E apesar de dizer que sente que já não tem “a mesma capacidade física nem mental” e que conhece as suas “limitações”, ainda equaciona inscrever-se em cadeiras isoladas do curso de Psicologia.

 

 

“Cheguei a ser criticado por amigos, apesar de sempre ter tido todo o apoio da família. Ocupava as minhas férias a estudar, às vezes 12 horas por dia. Mas estudar é o meu escape. É devoção”, confidencia.

 

 

SALOMÉ FILIPE/JN/TPT/4/8/2015