Um primo da Terra já aqui ao lado, mas bem mais quente

Uma equipa internacional de investigadores encontrou um planeta semelhante a Vénus “no quintal do vizinho”. GJ 1132b está a apenas 39,14 anos-luz no sistema estelar da anã vermelha Gliese 1132 – um tipo de estrela relativamente mais pequeno e mais frio que o nosso Sol. Isto quer dizer que está três vezes mais perto da Terra do que qualquer outro exoplaneta descoberto dentro deste tamanho. A descoberta foi publicada na revista científica Nature e contou com a participação de Nuno Santos, investigador no Instituto de Astrofísica e Ciências do Espaço e Universidade do Porto – o português que anda à procura de exoplanetas.

 

 

De cada vez que um planeta passa em frente da sua estrela obscurece-a um pouco, mas nem sempre os cientistas (ou os telescópios) estão em posição de ver este alinhamento perfeito. Se o conseguirem fazer, podem determinar não só o tempo da órbita – neste caso 1,6 dias –, mas, mais importante ainda o diâmetro, do planeta. Avaliar a diminuição da luz da estrela Gliese 1132 com o método dos trânsitos permitiu perceber que GJ 1132b tem um diâmetro 1,2 vezes maior do que o da Terra.

 

 

A Luz e a Velocidade

 

 

* A luz viaja no vácuo a aproximadamente 300 mil quilómetros por segundo.

 

 

* Um ano-luz é a distância que a luz percorre em linha reta, no vácuo, num ano (365,25 dias).

 

 

* Um ano-luz corresponde a cerca de 10 biliões de quilómetros.

 

 

* A luz demora 8,3 minutos do Sol até à Terra.

 

 

* Depois do Sol, a estrela que está mais próxima da Terra é a Proxima Centauri, a 4,2 anos-luz – que é também o tempo em anos que a luz dessa estrela demora a chegar à Terra.

 

 

Mas o tamanho pouco diz sobre a massa de um planeta – com o mesmo tamanho, um planeta rochoso ou gasoso terão massas completamente diferentes. Para já, a primeira pista é que este planeta é rochoso (e que tem uma densidade equivalente à da Terra). Nem podia ser de outra forma, tendo em consideração a distância a se encontra da sua estrela – apenas 2,25 milhões de quilómetros quando comparado com Mercúrio que está a cerca de 55 milhõquilómetros do Sol. Com o calor da estrela, os planetas mais próximos não conseguiram condensar muitos gases durante a sua formação e por isso ficaram mais rochosos.

 

 

Mas como é que se mede a massa de um planeta? Pelo método das velocidades radiais, mas troquemos isto por miúdos. Dois corpos celestes, neste caso um planeta e uma estrela, exercem força gravítica um sobre o outro – uma força que será tanto maior quanto maior a massa daquele que a exerce. E a passagem do planeta junto da estrela acaba por afetar a velocidade desta. Sim, as estrelas também se mexem um bocadinho para trás e para a frente. Foi assim que se verificou que este planeta tem uma massa 1,6 vezes maior que a Terra.

 

 

Conjunto de telescópios MEarth-South, em Cerro Tololo, no Chile, dedicados a estudar o brilho de estrelas pequenas e relativamente próximas.

 

 

Conhecido o diâmetro, a massa e a densidade deste planeta rochoso, há algo mais que chama a atenção dos cientistas: existem condições para a presença de uma atmosfera. Espera-se que telescópios possam dar mais informação sobre esta possibilidade num futuro próximo. Impossível parece ser, no entanto, que exista água, porque a temperatura é demasiado elevada. A estrela  Gliese 1132 tem 21% do tamanho do Sol, mas o planeta está tão próximo que recebe 19 vezes mais radiação da sua estrela do que a Terra recebe do Sol. É por isso que os cientistas calculam que as temperaturas se situem entre os 135 e os 305 graus Celsius – a temperatura de Vénus à superfície é de 462º C. O que até nem é assim tanto, dadas as condições, é mais baixa que qualquer outro exoplaneta conhecido.

 

 

[Dada a proximidade] este planeta será um alvo favorito dos astrónomos durante anos”, diz em comunicado de imprensa Zachory Berta-Thompson, primeiro autor do artigo e investigador no Instituto de Tecnologia do Massachusetts (MIT), nos Estados Unidos.

 

 

Esta estrela tão próxima e o seu planeta vão permitir aos cientistas estudar como é que a atividade estelar influencia a formação e manutenção da atmosfera dos planetas que a orbitam. Ainda se lembra do que os ventos solares fizeram à atmosfera de Marte? Isto pode mudar a forma como se procuram sinais de vida nos exoplanetas que orbitam anãs vermelhas.

 

 

Que outros exoplanetas temos aqui na vizinhança?

 

 

Mais um planeta no nosso quintal, o HD219134 b.  Este planeta orbita uma estrela visível a olho nu a partir da Terra e está a qualquer coisa como 200 biliões de quilómetros.

 

 

O Kepler-452b é um pouco maior que a Terra  – mais 60% em diâmetro – e orbita a zona habitável de uma estrela pouco maior do que o Sol – apenas mais 10%. Além disso, a orbita é de apenas de 385 dias e o planeta está quase à mesma distância da estrela que a Terra está do Sol. O anúncio foi feito pela NASA em julho.

 

 

Uma equipa de astrofísicos captou a imagem do planeta gigante VHS 1256b  – o exoplaneta mais próximo da Terra do qual se conseguiu, até hoje, obter imagens e um espetro. VHS 1256b tem um tamanho semelhante a Júpiter, mas uma massa 11 vezes superior, e orbita uma estrela anã vermelha que está a 40 anos-luz da Terra. A descoberta foi divulgada pelo Instituto de Astrofísica das Canárias, em Espanha.

 

 

Os astrónomos descobriram um planeta a 100 anos-luz de distância da Terra. O 51 Eridani b é parecido com o que Júpiter foi há biliões de anos e pode dar novas informações sobre como os planetas se formam. A descoberta foi publicada na revista Science.

 

 

O planeta extrassolar 51 Pegasi b, o primeiro a ser confirmado em torno de uma estrela parecida ao Sol, foi descoberto mediante um espetrógrafo que detetou as mudanças regulares na velocidade radial da sua estrela. Este exoplaneta é visto como o modelo planetas parecidos com Júpiter, em termos de massa e tamanho, mas com órbitas muito mais próximas das suas estrelas progenitoras.

 

 

 

Dana Berry (CfA)/TPT/5/1/2016

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Líderes da Rússia e Índia reforçam as relações em encontro que tiveram no Kremlin

O Presidente russo, Vladimir Putin, e o primeiro-ministro indiano, Narenda Modi, reuniram-se no Kremlin para concluir contratos bilaterais avaliados em 7 mil milhões de dólares (6,4 mil milhões de euros) e impulsionar as relações estratégicas.

 

 

“Desenvolvemos de forma consciente e sólida a cooperação estratégica entre a Índia e a Rússia. As nossas relações abrangem todos os âmbitos, incluindo as questões de caráter político e a coordenação na arena mundial”, disse Putin no início do encontro.

 

 

Modi, que se encontra em visita de Estado à Rússia, sublinhou por sua vez que as cimeiras anuais russo-indianas, como a que agora decorre na capital russa e inclui reuniões entre empresários dos dois países, “permitem desenvolver as relações e tomar decisões importantes”.

 

 

“Estou seguro que esta cimeira dará um novo impulso às nossas relações bilaterais e reforçará a nossa confiança mútua”, assinalou o primeiro-ministro indiano perante Putin.

 

 

Apesar dos “diversos problemas no mundo, apesar das pressões [internacionais] contra a Rússia, conseguiu colocar o seu país num outro nível. Hoje a Rússia é respeitada e está orgulhosa do percurso do seu desenvolvimento”, disse Modi numa referência ao papel de Putin.

 

 

Após a reunião bilateral, os dois responsáveis tinham previsto comparecer num encontro entre empresários dos dois países, que segundo fontes do Kremlin poderão implicar contratos e convénios de 6,4 mil milhões de euros.

 

 

Especialistas citados pela agência noticiosa Efe consideram que Modi deverá anunciar a intenção de aprovar o acordo com a Rosatom, a agência de energia atómica russa, para a construção de uma nova central nuclear com reatores no estado de Andhra Pradesh (sul), junto às margens do Golfo de Bengala.

 

 

Aguarda-se ainda a assinatura de um contrato técnico para a construção de dois novos reatores, o quinto e sexto, na central nuclear de Kudankulam, construída pela Rosatom no extremo sul do país e cujo primeiro reator entrou em funcionamento em 2014.

 

 

No âmbito militar, as duas partes também poderão assinar um contrato para a venda de cinco sistemas de defesa antiaérea S-400, e que faria da Índia o segundo país estrangeiro, depois da China, a garantir estas armas de última geração.

 

 

A nível oficial, Moscovo suspendeu as exportações destes sistemas até que a sua produção contemple as necessidades das Forças Armadas russas.

 

 

Fontes do Kremlin referiram ainda que a Índia está interessada na compra de dois submarinos ‘diesel’ e outro nuclear, além de 48 helicópteros de transporte Mi-17V5 e até 150 blindados ligeiros de infantaria.

 

 

Hoje deverá ser ainda assinado um acordo intergovernamental para a construção conjunta de uma fábrica de helicópteros Ka-226T na Índia.

 

 

MAXIM SHIPENKOV / POOL/EPA/TPT/5/1/2016

 

 

 

 

 

 

 

Com os novos tratamentos para as verizes o tempo de convalescença é diminuto

As varizes são muito mais do que um problema estético, podendo condicionar, além de grande incómodo e prejuízo da qualidade de vida, complicações diversas. Assim, o seu tratamento está indicado e deve ser o mais precoce possível para garantir um melhor e mais definitivo resultado.

 

 

Contudo, muitas pessoas adiam este tratamento, por desconhecimento ou por medo. Classicamente, a cirurgia de varizes é ainda olhada com algum receio e conotada com tempos prolongados de internamento, repouso no leito e absentismo laboral.

 

 

Na realidade, a cirurgia de varizes é uma cirurgia segura, com poucas complicações e, com os novos métodos disponíveis, pode ser realizada em ambulatório, sendo expectável o retorno à atividade habitual diária em poucos dias.

 

 

 

Quando se considera um algoritmo de tratamento de varizes, o clínico deve ser seletivo e basear as suas decisões nas necessidades do doente em questão.

 

Com os novos tratamentos para as verizes o período de convalescença é diminuto 2

O objectivo principal na cirurgia de varizes é tratar primeiro a causa das varizes, na maioria dos casos incompetência das veias safenas. É o tratamento destas veias que pode diferir e condicionar diferentes tempos de recuperação, complicações e resultados.

 

 

Tradicionalmente estas veias são removidas, implicando uma incisão na região da virilha (ao longo da sua prega) e a sua extracção através de uma pequena incisão abaixo do joelho ou no tornozelo. Como é compreensível este método pode provocar equimose mais ou menos extensa ao longo do trajecto da veia removida.

 

 

Contudo, cada vez mais são procurados métodos menos invasivos e que envolvam menos complicações, permitindo uma mais fácil e rápida recuperação.

 

 

Ablação endovenosa por radiofrequência.

 

 

Este é  um procedimento minimamente invasivo para o tratamento de varizes. É um método alternativo ao clássico stripping da veia safena (método de extração desta).

 

 

Esta técnica evita a habitual incisão na prega da virilha e as suas potenciais complicações. Além disso, a ausência de dissecção cirúrgica na região da virilha permite manter intacta a drenagem linfática da parede abdominal e dos membros inferiores.

 

 

Este método utiliza a energia da radiofrequência para aquecer a parede da veia, através de um cateter que é colocado no seu interior, por visualização ecográfica. O aquecimento provoca encolhimento das fibras de colagénio que fazem parte da parede do vaso. O diâmetro da veia é reduzido e simultaneamente as proteínas do sangue são desnaturadas pelo calor, obliterando o vaso. Nos 10 a 12 meses seguintes a veia acaba por fibrosar completamente, tornando-se indetectável ao exame ecográfico, sem que na realidade tenha sido extraída.

 

 

Preparação

 

 

A escolha do método anestésico é habitualmente feita entre o médico e o doente. Contudo, a anestesia local apresenta muitas vantagens neste caso. Estando acordado, o doente pode comunicar se sentir alguma dor que possa resultar de aquecimento pelo cateter, através da veia, do nervo cutâneo sensitivo que está na sua proximidade. É também desejável o início rápido da deambulação após a intervenção, que pode ser atrasado com a recuperação de uma anestesia geral.

 

 

Técnica

 

 

O doente é colocado em posição deitada e é administrada anestesia local para inserção do cateter de radiofrequência na veia. Este é inserido habitualmente  abaixo do joelho, no ponto em que a veia se encontra mais próximo da superfície cutânea. Para isso é feita uma pequena “picada” na pele através da qual se punciona a veia para introduzir o cateter, cuja extremidade é colocada, através de controle ecográfico, imediatamente abaixo da zona de confluência da veia safena com a veia femoral, isto é, ao nível da virilha.

 

 

Quando o cateter está adequadamente colocado, é aplicado um fluído anestésico em torno da veia. Tal é conseguido através de pequenas picadas na pele, ao longo do trajeto da veia. O objectivo é envolver completamente a veia, a ela restringindo o efeito de aquecimento, evitando assim afectar significativamente as estruturas cutâneas e nervosas adjacentes.

 

 

Findo este processo, o doente é colocado com as extremidades inferiores elevadas a cerca de 20º. O aquecimento é controlado por um gerador computorizado e a passagem do cateter pela veia é feita a uma velocidade de cerca de 2 a 4 cm por minuto.

 

 

Quando se termina, deve fazer-se um controlo ecográfico para confirmar a  obliteração da veia safena e a permeabilidade dos vasos profundos.

 

 

Seguimento e cuidados

 

 

No fim do procedimento é calçada uma meia de contenção elástica até à raiz da coxa.

 

 

O doente é encorajado a deambular precocemente após a intervenção e em alguns casos pode mesmo retomar a sua atividade laboral no próprio dia.

 

 

No espaço de cerca de 5 dias deverá ser reavaliado pelo médico e efetuar um ecodoppler para confirmar a ablação venosa e a ausência de extensão do trombo à veia femoral.

 

 

Riscos

 

 

As complicações são raras e o período de convalescença diminuto.

 

A complicação mais séria, descrita em cerca de 1% dos procedimentos, é a ocorrência de trombose venosa profunda como resultado da extensão do trombo para a veia femoral. O seu tratamento baseia-se geralmente na administração de fármacos hipocoagulantes, tal como nos casos de trombose venosa profunda por qualquer outra causa.

 

 

Queixas de perda de sensibilidade ou sensação de “dormência” no trajeto da veia tratada, traduzem lesão nervosa e são atualmente uma complicação muito rara graças aos novos dispositivos, à instilação de anestesia tumescente em torno da veia e à restrição da aplicação do método ao segmento acima do joelho, onde o trajeto do nervo sensitivo não é tão próximo do da veia.

 

 

A ocorrência de queimaduras cutâneas praticamente está extinta com a aplicação de tumescência. Deve contudo ter-se atenção a todos os detalhes nos casos de pernas magras, em que o trajeto da veia é mais superficial, aumentando o risco de queimadura.

 

 

Podem ocorrer flebites com este método, tal como com qualquer outro tratamento de varizes em resultado da trombose de sangue residual entre os segmentos obliterados. Algum grau de flebite é inerente ao próprio método terapêutico, uma vez que ocorre uma lesão “controlada” da parede da veia, pelo calor. As queixas habituais são de dor local e rubor na pele suprajacente à veia tratada. Habitualmente a situação regride espontaneamente ao longo de algumas semanas, estando apenas recomendado tratamento sintomático, com analgésico e anti-inflamatório.

 

 

Os doentes podem ainda descrever uma sensação curiosa, mais frequentemente durante a segunda ou terceira semana após a cirurgia, que consiste numa sensação de estiramento no trajeto da veia, na face interna da coxa, quando esticam ou flectem a perna tratada. Tal pode representar um processo inflamatório que ocorre à medida que se dá a cicatrização após a lesão infligida pelo calor. Esta sensação habitualmente regride totalmente ao longo de várias semanas.

 

 

Conclusão

 

 

Trata-se de um método seguro e eficaz, com um período de convalescença curto, permitindo um retorno precoce ao trabalho e às rotinas diárias.

 

 

Além da radiofrequência esta ablação/colapso da veia pode ser conseguido com injeção de espuma (uma mistura de ar e de um agente químico produzindo uma consistência que permite um maior contacto com a parede do vaso a tratar) ou com uma cola específica para uso endovenoso. As técnicas a propôr dependem sempre de uma criteriosa avaliação e do doente em causa.

 

 

 

 

 

Por: Joana Carvalho, Cirurgiã Vascular/TPT/5/1/2016