Donald Trump disse que reconhecerá resultado da votação, mas só se for “o vencedor”. Podem estas eleições ser viciadas?

O candidato republicano à Presidência dos Estados Unidos da América, Donald Trump, disse esta quinta-feira que aceitará o resultado das eleições de 8 de novembro, se for “claro”, reservando-se ao direito de o contestar se o considerar “questionável”.

 

 

“Aceitarei um resultado claro das eleições, mas também reservo-me o direito de responder e apresentar acusações legais caso o resultado seja questionável”, disse Trump esta quinta-feira, durante um comício na cidade de Delaware, em Ohio.

 

 

Nesse mesmo discurso, Trump antecipou que aceitará o resultado da eleição para a Casa Branca, mas criou alguma confusão quando acrescentou que isso apenas aconteceria se ele saísse vencedor da corrida ao lugar de Barak Obama.

 

 

“Quero prometer a todos meus eleitores (…) que aceitarei totalmente os resultados dessa grandiosa e histórica eleição presidencial”, disse Trump, ressaltando: “se eu for o vencedor”.

 

 

No terceiro e último debate com a candidata democrata Hillary Clinton, na noite de ontem em Las Vegas, Trump causou mal-estar ao evitar comprometer-se a respeitar o resultado da eleição.

 

 

No dia a seguir ao debate quinta, Trump voltou a insistir na possibilidade de uma eleição manipulada.

 

 

“Queremos que a eleição seja justa, e isso não tem nada a ver comigo, mas com o futuro do país. Temos de ter uma eleição justa”, insistiu.

 

 

Trump também disse que Hillary “fez batota” no debate, já que recebeu antecipadamente – segundo ele – as perguntas que seriam formuladas.

“É uma pessoa muito desonesta”, acrescentou.

 

 

Podem as eleições dos EUA ser viciadas?

 

 

Não há uma eleição presidencial nos EUA, mas 50 eleições presidenciais, uma vez que cada estado do país tem as suas próprias comissões eleitorais independentes entre si, que são responsáveis pela organização da votação e apuramento dos resultados. São os estados que definem todas as regras, por exemplo, se os eleitores podem registar-se para votar no próprio dia, se é possível ou não o voto antecipado (presencial ou por correspondência), se são utilizados boletins em papel depositados em urnas ou se o voto se processa electronicamente…

 

donald-trump-reconhecera-resultado-da-votacao-mas-so-se-for-o-vencedor-podem-estas-eleicoes-ser-viciadas-2

Essa é uma das razões por que a tese de Donald Trump de que está em marcha uma grande conspiração para viciar os resultados da votação presidencial não colhe. Demasiados estados utilizam demasiados sistemas diferentes para que essa acção pudesse ser concertada: dada a descentralização e fragmentação do sistema eleitoral norte-americano, a integridade da votação não está comprometida, asseguram as autoridades estaduais, que respondem aos respectivos governadores (actualmente, 31 republicanos, 18 democratas e um independente).

 

 

A outra razão é de que não há qualquer evidência de que as fraudes contra as quais Trump se insurge no Twitter se tenham verificado ou possam ocorrer a 8 de Novembro: eleitores que conseguem votar cinco ou dez vezes, votos depositados em nome de pessoas que já morreram, ou irregularidades na programação das máquinas de voto.

 

 

As investigações académicas sustentam os relatórios das comissões estaduais, que sublinham que a arquitectura do sistema impede que a fraude possa acontecer sem ser detectada. Ou seja, como sugere Trump, que um eleitor seja autorizado a votar várias vezes ou em nome de outra pessoa – desde o ano 2000, só foram identificados 31 casos nas mesas de voto de todo o país, e esses votos foram invalidados.

 

 

Inquérito a professores dos EUA mostra que ambiente nas escolas mudou com a campanha eleitoral

 

 

A retórica e o discurso de Donald Trump durante a campanha eleitoral norte-americana tem suscitado alguma preocupação um pouco por todo o lado e particularmente nos Estados Unidos. Muitos prevêem efeitos nefastos para vários sectores da sociedade americana caso o candidato do Partido Republicano seja eleito. Seja na economia, nas relações externas e até na educação. Este tem sido, inclusivamente, um dos pontos mais fortes no discurso da candidata democrata Hillary Clinton.

 

donald-trump-reconhecera-resultado-da-votacao-mas-so-se-for-o-vencedor-podem-estas-eleicoes-ser-viciadas-3

No entanto, o “efeito Trump”, expressão que já se começa a popularizar, pode já ter consequências nas escolas daquele país. Em concreto, foi o grupo activista Southern Poverty Law Center (SPLC) que começou a falar e a espalhar a ideia de um “efeito Trump”.

 

 

E, para provar que este é real, o grupo divulgou um inquérito a mais de dois mil professores do ensino primário e secundário. Quando questionados se têm observado “o aumento do discurso político pouco civilizado nas escolas desde o início da campanha presidencial de 2016”, mais de metade respondeu que “sim”. Dois terços dos inquiridos concordaram também com a afirmação: “Os meus estudantes expressaram preocupação com o que pode acontecer a eles e às suas famílias depois das eleições”. Por outro lado, um terço admitiu um aumento do sentimento anti-muçulmano ou anti-imigração.

 

 

O inquérito foi divulgado pela revista Slate, que diz, no entanto, que os resultados não são científicos. Isto porque, os inquiridos inserem-se no grupo de professores registados no SPLC ou que visitam o site do grupo.

 

 

Mas no trabalho do SPLC é ainda lançado um desafio aos professores. O de relatarem incidentes concretos sobre a temática. E alguns exemplos podem lançar alguma luz ao ambiente que se vive actualmente em algumas escolas americanas:

 

– “Um dos meus estudantes, que é muçulmano, está preocupado com facto de vir a ter de utilizar um microchip identificando-o como muçulmano”;

 

– “Um dos estudantes foi chamado de ‘terrorista’ e acusado de pertencer ao Estado Islâmico. Outro afirmou que seria deportado se Donald Trump vencer as eleições”;

 

– “Ao falar da vitória de Trump no seu estado, um estudante disse a outro: ‘Adeus, Kevin’ – isto porque Kevin é mexicano”;

 

– “Um estudante perguntou se foi assim que a Alemanha elegeu Adolf Hitler”.

 

 

Apesar disso, o bullying pode ter o sentido contrário. Isto é, alguns professores relatam episódios de ataques contra aqueles que, alegadamente, apoiam Donald Trump rejeitando-os socialmente.

 

 

Muitos docentes referem ainda que tentam esclarecer este assunto durante as aulas, nomeadamente as propostas de Donald Trump, mas 40% admitiu alguma hesitação ao falar das eleições.

 

 

O meteorito

 

 

 

Outra sondagem chegou também a resultados, no mínimo, surpreendentes.

A Universidade do Massachusetts colocou várias hipóteses em confronto com a vitória de um dos actuais candidatos à presidência dos Estados Unidos.

 

 

Ora, 67% dos mais de 1200 americanos, com idades entre os 18 e os 35 anos, que responderam ao questionário dizem que preferiam um Presidente escolhido aleatoriamente do que Donald Trump na Casa Branca; 66% escolheriam um mandato vitalício para Barack Obama e, finalmente, 55% preferiam que um meteorito devastasse o planeta Terra do que ver Donald Trump a tomar posse.

 

 

No entanto, os resultados não são muito favoráveis a Hillary Clinton. Neste caso, 51% escolheria um mandato vitalício de Obama em vez de uma vitória da candidata democrata, 39% preferia um Presidente escolhido aleatoriamente e 34% trocaria a presidência de Hillary por uma catástrofe provocada por um meteorito.

 

 

Tal como no caso anterior, e porque o inquérito foi conduzido na plataformaonline, a representatividade não é conclusiva.

 

 

ONU pede que as queixas sobre evetual fraude eleitoral nos EUA sejam feitas por meios legais

 

 

A ONU pediu esta quinta-feira que qualquer queixa sobre uma eventual fraude nas eleições norte-americanas seja feita através dos meios legais estabelecidos, respondendo às dúvidas lançadas pelo candidato republicano à Casa Branca, Donald Trump.

 

donald-trump-reconhecera-resultado-da-votacao-mas-so-se-for-o-vencedor-podem-estas-eleicoes-ser-viciadas-4

Qualquer reclamação relacionada com o processo [eleitoral norte-americano] deve ser tratada através dos meios constitucionais e legais estabelecidos”, disse o porta-voz da Organização das Nações Unidas (ONU), Stéphane Dujarric, questionado pela agência noticiosa Efe sobre o assunto.

 

 

Dujarric deixou claro que esta mensagem seria a mesma que as Nações Unidas dariam a uma questão similar, que se pusesse a qualquer outro país, e recordou que a ONU “não tem qualquer posição” sobre debates, porque não pode comentar o processo eleitoral em si mesmo.

 

 

Esta quinta-feira de madrugada, no último debate eleitoral da campanha norte-americana, Donald Trump questionado sobre se reconheceria a vitória da democrata Hillary Clinton no próxima dia 08 de novembro respondeu: “Ver-se-á na altura, manterei o suspense”.

 

 

Além disso, insistiu que a campanha eleitoral está a ser “manipulada”.

O magnata nova-iorquino manteve esta quinta-feira a mesma posição ao assegurar que, “se ganhar”, aceitará o resultado das eleições a 08 de novembro.

 

 

Trump disse ainda que se reserva “o direito de impugnar” o resultado eleitoral caso este seja “questionável”.

 

 

A candidata democrata qualificou na altura essa resistência por parte de Trump de se negar a decidir se aceita o resultado das eleições de “espantosa”.

 

 

Donald Trump passou os dias anteriores ao terceiro e último debate a alertar os seus votantes sobre os comícios que estão a ser “manipulados”, agitando o fantasma da fraude eleitoral.

 

 

TPT com: Frederic J. Brown//AFP//New York Post//CNN//Público//WSJ// 21 de Outubro de 2016 

 

 

 

Leave a Reply

Your email address will not be published. Required fields are marked *