Os líderes do Pentágono e da comunidade de inteligência dos Estados Unidos recomendaram ao presidente Barack Obama que afastasse o diretor da National Security Agency (NSA), o admirante Michael Rogers, um nome que tem sido falado para assumir a coordenação de todas os serviços de inteligência na administração Trump, ou seja, para ser o czar das secretas.
A notícia está a ser avançada pela agência Reuters, citando fontes anónimas, que dizem que o secretário da Defesa Ash Carter e o diretor de inteligência nacional James Clapper, que manda em todas as agências de segurança dos EUA – da CIA ao FBI -, terão pedido pediram a Obama que afastasse Michael Rogers.
O motivo serão as alegadas falhas na gestão da NSA e na incapacidade de Michael Rogers de parar as brechas na segurança da NSA. A insatisfação terá chegado ao limite quando um Harold Martin, subcontratado pela NSA, foi detido ao tentar retirar informação da agência para a vender.
Michael Rogers foi nomeado para a NSA em 2014, precisamente para reparar estas falhas depois dos danos causados pelas revelações na sequência do caso Snowden. Mas Donald Trump chamou Rogers para o considerar para o posto de DNI, que lhe daria a supervisão das 17 agências de segurança.
“KKK is ok”, as frases racistas e as desculpas do próximo procurador-geral escolhido por Trump
O ministro da Justiça nomeado por Donald Trump ainda tem de ser aprovado pelo congresso. Em 1986 Jeff Sessions foi chumbado pelo Senado para ser juiz federal devido a posições racistas e xenófobas.
O senador do Alabama Jeff Sessions prepara-se para ser o próximo procurador-geral da Administração Donald Trump, cargo equivalente ao de ministro da Justiça em Portugal. O advogado foi um apoiante do Presidente-eleito desde o primeiro minuto e é um dos maiores representantes da linha dura do discurso de Trump, nomeadamente no que diz respeito à política externa e de imigração. O nome aparece sempre associado a comentários racistas e xenófobos, estando longe de ser consensual. São muitas as polémicas que envolvem Jeff Sessions, sendo que algumas já remontam ao tempo em que, em 1986, foi nomeado juiz federal pelo então Presidente Ronald Reagan e acabou chumbado pelos republicanos devido, precisamente, a comentários racistas e favoráveis a movimentos como o Klu Klux Klan (KKK). Agora, a sua nomeação para o cargo dependerá também da aprovação pelo Congresso – de maioria republicana.
Conservador, anti-casamento homossexual, anti-legalização do comércio, anti-legalização do consumo de canábis, Sessions, 69 anos, tem sido uma das vozes mais ativas contra a imigração ilegal, um dos principais temas da campanha eleitoral de Trump, que prometeu expulsar os cerca de 11 milhões de imigrantes ilegais que vivem em território norte-americano. Sessions representa o estado do Alabama no Senado (câmara alta do Congresso norte-americano) desde 1997 e assumiu protagonismo quando se opôs, durante as administrações de George W. Bush (republicano) e de Barack Obama (democrata), a vários projetos para a regularização de imigrantes ilegais.
Depois de, enquanto jovem procurador do estado do Alabama, na década de 80, ter sido rejeitado pelo Comité de Assuntos Judiciais norte-americano, que supervisiona o Departamento de Justiça e o FBI, para assumir o cargo de juiz federal, Jeff Sessions acabou por conseguir ser eleito pelo partido republicano para o Senado e acabou mesmo por tornar-se um membro daquele mesmo Comité dos Assuntos Judiciais. Para a história, contudo, ficam os seus sucessivos comentários racistas e xenófobos e as consequentes tentativas de retificação, transformação em “piada” ou alegações de esquecimento. Eis as principais polémicas daquele que deverá ser o próximo procurador-geral norte-americano:
O elogio ao Klu Klux Klan e a nomeação falhada para juiz
Enquanto servia como procurador do estado do Alabama, Jeff Sessions foi nomeado, em 1986, pelo Presidente Ronald Reagon para o cargo de juiz federal. Mas a sua nomeação acabaria rejeitada pelos senadores do Comité de Assuntos Judiciais (de maioria republicana) por causa das suas declarações racistas. Na altura, os oficiais do departamento de justiça foram chamados a testemunhar sobre as alegas visões racistas de Sessions e os testemunhos não lhe foram nada favoráveis.
Um dos testemunhos terá dito que, em audiências perante os senadores do Comité, Sessions referiu-se à Conferência da Liderança Cristã do Sul, que é uma organização não governamental focada nas questões que envolvem os direitos civis dos afro-americanos, ou à União Americana pelas Liberdades Civis, ou ainda à Associação Nacional para o Progresso de Pessoas de Cor como organizações “não americanas” e “de inspiração comunista” por “tentarem impingir direitos civis pela garganta das pessoas”.
À boleia disto, um dos procuradores federais de então, afro-americano, testemunhou para dizer que Jeff Sessions o tinha chamado “boy” e ter dito para “ter cuidado com o que diz aos colegas brancos”. Paralelamente, um outro oficial de justiça testemunhou a dizer que Sessions tinha elogiado o Klu Klux Klan, movimento reacionário e extremista norte-americano que defende a supremacia da raça branca e o antissemitismo: Sessions terá dito que sempre achou o Klu Klux Klan um movimento “ok”, aceitável, até ao dia em que descobriu que “fumavam erva”. Pior a emenda do que o soneto. Mas afinal “foi apenas uma piada”, diria depois.
O senador do Alabama viria a negar ter chamado “boy” ao advogado mas não negou nenhum dos restantes comentários. Quando questionado sobre as declarações que teria feito sobre a Associação Nacional para o Progresso de Pessoas de Cor, preferiu dizer que não se recordava ter dito que aquela associação “odiava pessoas brancas”, como lhe atribuíam. “Posso ter dito isso, ou algo parecido que tenha levado alguém a interpretar isso”, limitou-se a explicar, sublinhando que nunca disse que a União Americana pelas Liberdades Civis era “uma organização não-americana”.
“Eu disse apenas que eles tomam posições que são consideradas não-americanas. Magoam-se a si próprios, perdem a credibilidade. E muitas pessoas pensam que algumas dessas posições são tomadas contra os interesses dos EUA”, afirmou, referindo-se às políticas de liberalização da imigração.
Na altura, as desculpas não lhe serviram de nada e o nome não passou no crivo dos senadores e dos congressistas. Mas, de acordo com o New York Times, a história pode não se repetir: com uma experiência de 20 anos no Senado norte-americano, o republicano tem agora mais aliados para enfrentar a confirmação de que precisa caso seja mesmo nomeado pelo Presidente norte-americano para o cargo de procurador-geral. Além de que, atualmente goza de um estatuto especial por ter sido o primeiro senador a declarar o seu apoio à campanha presidencial de Donald Trump.
Enquanto procurador-geral Jeff Sessions terá a seu cargo a responsabilidade de defender os direitos civis.
General com posições radicais na luta contra o ISIS vai ser conselheiro de segurança de Trump
Michael Flynn, antigo líder do serviço de inteligência das forças armadas norte-americanas, deverá ser o novo conselheiro de segurança de Trump, pouco habituado a lidar com estratégias militares.
Donald Trump deverá nomear como Conselheiro para a Segurança Nacional o General Michael Flynn, conhecido pelas suas posições muito críticas dos muçulmanos, de acordo com a imprensa norte-americana. Flynn, um antigo líder dos serviços de inteligência militares, é filiado no Partido Democrata, mas tem sido um dos principais conselheiros de Trump ao longo da campanha, no que toca a assuntos de segurança nacional. A nomeação para o cargo, atualmente ocupado pela democrata Susan Rice, chegou a estar praticamente garantida para Mike Rogers, que se demitiu na última terça-feira.
Apesar de o convite já ter sido confirmado pela equipa de Trump, ainda não se sabe se o militar o irá aceitar. O que se conhece, para já, são as posições controversas do general, que, tal como Trump, tem vindo a utilizar as redes sociais para divulgar mensagens polémicas. No Twitter, Flynn chegou a escrever que “o medo dos muçulmanos é racional”, e que a Sharia (lei islâmica) se estaria a espalhar cada vez mais pelos EUA. Segundo o The New York Times, os factos muitas vezes exagerados usados pelo general motivaram até a criação de um nome para o fenómeno, os Flynn facts [os factos de Flynn].
O mesmo jornal escreve que Flynn já tem usado da sua influência sobre Trump para convencer o futuro presidente de que os Estados Unidos estão em guerra com o extremismo islâmico, pelo que se devem aliar com todos os países que queiram colaborar, incluindo a Rússia. A confirmar-se a ida de Flynn para a Casa Branca como Conselheiro para a Segurança Nacional, o antigo líder das secretas militares terá acesso à documentação confidencial do presidente e será responsável por decidir muitas das ações de Trump — especialmente porque o republicano não tem nenhuma experiência na gestão de estratégia militar.
Tal como Trump, Flynn também levará para a Casa Branca alguns conflitos de interesses, especialmente com o Flynn Intel Group, uma consultora de serviços de inteligência criada pelo general, e que tem negócios pouco claros com países do Médio Oriente. Além disso, Flynn tem ainda relações pouco conhecidas com a Rússia, chegando a ser pago para participar num programa da televisão oficial do regime de Putin, a RT. Mais tarde, veio assegurar que não estava a ajudar na propaganda russa, imagem de que não se livrou.
Flynn deixou a liderança dos serviços secretos militares em 2014, e tem sido um forte crítico de Barack Obama e do Pentágono, discordando do atual presidente no que diz respeito, por exemplo, à luta contra o Estado Islâmico. O general acusa Obama de não assumir que o extremismo islâmico é o inimigo dos EUA, e de nem saber como o derrotar. Se Flynn aceitar o convite, é o terceiro nome a entrar na administração de Trump, depois de Steve Bannon ter sido escolhido para estratega e conselheiro sénior do executivo, e Reince Priebus ter sido nomeado chefe de gabinete da Casa Branca.
Trump convida Mike Pompeo, membro do Tea Party, para dirigir a CIA
Donald Trump já convidou o republicano Mike Pompeo para diretor da CIA, uma das mais importantes agências de informação e segurança dos Estados Unidos. A informação está a ser avançada pelo Washington Post que cita fontes próximas da equipa de transição. De acordo com as mesmas fontes, Pompeu aceitou o cargo onde irá suceder a James Clapper que apresentou na quinta-feira a sua carta de demissão.
Pompeo, de 52 anos, foi eleito para o congresso pelo estado do Kansas e está associado ao Tea Party, um movimento conservador dentro do Partido Republicano. A sua entrada para o congresso em 2010 representou a primeira leva de legisladores oriundos do Tea Party. Formado na academia militar de West Point e na Universidade de Direito de Harvard, é membro da comissão do congresso sobre serviços de informação. Foi nesta qualidade que participou na investigação aos incidentes que mataram vários americanos, incluindo o embaixador, em Benghazi, durante a revolta na Líbia em 2012. Este episódio marcou de forma negativa o mandato de Hillary Clinton como secretária de Estado de Obama.
O republicano foi um dos grandes atacantes de Hillary e é um aliado próximo do vice-presidente eleito, Mike Pence.
Apesar de ter sido escolhido para um dos cargos mais poderosos futura administração de Donald Trump, Pompeu começou por ser apoiante de Marco Rubio, o senador que disputou as primárias com o milionário. Em maio, o seu porta-voz tornou público um apoio pouco entusiasta ao candidato nomeado pelo Partido Republicano com o argumento de que Hillary Clinton não podia tornar-se presidente dos Estados Unidos.
Segundo avançam vários órgãos de informação americanos, Donald Trump terá ainda convidado o senador do Alabama, Jeff Sessions, para a pasta da Justiça (attorney general) da sua administração. O advogado foi um dos primeiros apoiantes de Trump e é um dos representantes da linha dura sobretudo em temas sensíveis da campanha, como o controlo da imigração e o comércio internacional.
De acordo com a Bloomberg, Trump terá telefonado ao senador Ted Cruz, o seu principal opositor nas primárias do Partido Republicano, a comunicar-lhe a escolha de Sessions para o cargo de procurador. Cruz terá chegado a ser considerado para esta posição.
Trump reúne-se com Romney em processo de escolhas para área da Segurança
O Presidente eleito dos Estados Unidos, Donald Trump, encontrou-se este sábado com Mitt Romney, um dos seus principais críticos dentro do Partido Republicano e uma hipótese longínqua de ser escolhido para secretário de Estado.
O senador Jeff Sessions, uma das vozes mais proeminentes contra a imigração e apoiante de Trump desde a primeira hora, foi nomeado Procurador-geral na passada sexta-feira num sinal de que Trump se prepara para seguir em frente com a linha dura contra a imigração assumida durante a campanha.
Para dirigir a CIA, Trump sugeriu o nome de Mike Pompeo, um dos “falcões” republicanos do Congresso, opositor estridente ao programa nuclear iraniano assinado pela Administração Obama e crítico destacado de Hillary Clinton durante as audições da líder democrata no seguimento do ataque à missão norte-americana em Bengasi, na Líbia, em 2012.
Michael Flynn, ex-diretor do Departamento Nacional de Informações Militares, assessor de Trump para as questões de defesa durante a campanha para a Casa Branca, será o seu conselheiro para a segurança nacional.
Horas depois do anúncio destas escolhas, o procurador-geral de Nova Iorque anunciou que Donald Trump vai pagar 25 milhões de dólares para encerrar três processos judiciais contra uma escola que criou para investidores no imobiliário.
As queixas sugeriam a existência de fraude, alegando que a qualidade da formação em investimento imobiliário disponibilizada pela dita Universidade Trump ficou sempre muito aquém do prometido. O processo perseguiu o candidato durante meses ao longo da sua campanha e o acordo agora anunciado evita a Trump embaraços futuros na escolha da sua administração.
Se as suas escolhas mostram que está trazer para a próxima administração várias figuras saídas da ala mais conservadora do Partido Republicano, Trump tem feito alguns esforços para transmitir à comunidade internacional e dar alguns sinais de estabilidade e de manutenção do papel dos Estados Unidos no mundo.
Alguns aliados têm-se mostrado inquietos sobre a intenção de Trump se manter fiel aos acordos de segurança e de livre comércio assinados pelos Estados Unidos durante a atual administração.
Romney — um republicano moderado, derrotado em 2012 na corrida à Casa Branca — é uma hipótese remota para a pasta de secretário de Estado, a par do antigo mayor de Nova Iorque, Rudy Giuliani.
Se escolhido, porém, Romney trará para a Casa Branca uma visão republicana da política externa norte-americana consideravelmente mais ortodoxa do que a defendida por Trump ao longo da campanha. Por exemplo, em 2012, Romney elegeu a Rússia como uma ameaça geopolítica de topo, num claro contraste com “namoro” entre Trump e Putin ao longo da campanha deste ano.
Não é, no entanto, evidente que possa vir a ser anunciada esta escolha. Muitos apoiantes de Trump não esquecem que Romney considerou o próximo Presidente como uma “fraude”, nomeadamente ao prometer banir a entrada nos Estados Unidos a todos os muçulmanos estrangeiros.
Vice-presidente eleito dos EUA vaiado em teatro nova-iorquino
Não foi uma noite típica no teatro, sobretudo para Mike Pence, escolhido por Donald Trump para ser o vice-presidente da nova administração norte-americana.
Em vez de uma ovação em pé — particularmente habitual em musicais da Broadway –, Pence foi vaiado pelo público e teve direito a uma declaração dirigida a si, lida por um dos atores. O episódio aconteceu esta sexta-feira à noite, quando o republicano se deslocou ao Richard Rogers Theatre, em Nova Iorque, para ver a peça “Hamilton“. Entretanto, Trump já reagiu no Twitter e exigiu um pedido de desculpas da equipa de “Hamilton” para Mike Pence.
“Nós, senhor, nós somos a América diversificada que está alarmada e ansiosa [com a possibilidade] de que a nova administração não nos proteja, ao nosso planeta, às nossas crianças, aos nossos pais”, declamou o ator Brandon Dixon, rodeado pelo resto do elenco, no final no espetáculo. A mensagem foi dirigida a Pence, de tal forma que o ator pediu-lhe uns minutos da sua atenção quando o vice-presidente eleito já se preparava para abandonar o teatro: “Desejamos que este espetáculo o inspire a defender os valores americanos e a trabalhar em nome de todos nós. De todos nós”, continuou.
Antes desta intervenção, registada em vídeo pelos muitos smartphonesdos presentes, Mike Pence foi vaiado quando entrou no teatro à procura do seu lugar. Foi só no final da peça que o mesmo ator chamou a atenção do restante público: “Não há aqui nada para vaiar”, disse.
No Twitter, Donald Trump afirmou que Mike Pence tinha sido assediado: “O nosso maravilhoso futuro vice-presidente foi assediado ontem à noite no teatro pelo elenco de ‘Hamilton’, com as câmaras a disparar. Isto não devia de acontecer! O teatro tem de ser sempre um sítio seguro e especial. O elenco de ‘Hamilton’ foi muito rude ontem à noite para um homem muito bom, Mike Pence. Peçam desculpa!”.
De referir que a peça “Hamilton” conta a história de Alexander Hamilton, imigrante e um dos “pais fundadores” dos Estados Unidos, sendo que o musical é composto por um elenco propositadamente diversificado, com homens e mulheres de todas as cores, crenças e orientações sexuais.
TPT com: Reuters// Aaron P. Bernstein// AFP// New York Times// Washington Post//Nuno André Martins//Rita Dinis//Observador// 20 de Novembro de 2016









