O primeiro dia da vida do Presidente da República Américo Tomás e do Primeiro Ministro Marcelo Caetano no exílio

O ex-Presidente da República de Portugal, Américo Tomás e o presidente do Conselho de Ministros Marcelo Caetano no início da década de 1970.

 

 

O Brasil foi o primeiro país a reconhecer o governo do Portugal democrático em 1974. Mas foi também o país que deu asilo político às duas principais figuras do Estado Novo. Américo Tomás e Marcelo Caetano partiram para o exílio há precisamente 40 anos.

 

 

O primeiro dia da vida de Thomaz e Marcello no exílio2

 

Marcelo Caetano no Rio de Janeiro com a irmã e uma amiga da família.

 

 

Os militares que fizeram a Revolução dos Cravos permitiram que os dois homens fortes da ditadura, o Presidente da República Américo Tomás e o presidente do Conselho de Ministros Marcelo Caetano, voassem de Lisboa para a Madeira na noite de 25 de abril de 1974, onde ficaram detidos em regime de prisão domiciliária no Palácio de São Lourenço, no Funchal.

 
A mulher e a filha solteira de Tomás acompanharam o Presidente deposto. Caetano, que enviuvara em 1971, viajou sozinho. Os dois rostos do poder da ditadura ainda permaneceram mais 25 dias em território português, não tendo sido objeto de qualquer agressão por parte da população da Madeira.

 

 

A 20 de maio de 1974 ¬ partiram para o exílio, depois de uma negociação relativamente rápida entre a Junta de Salvação Nacional e o Governo de Brasil. Paradoxos da política e da diplomacia, o país que acolheu os ditadores depostos – ¬ e várias outras figuras afetas ao Estado Novo – ¬ foi também o primeiro a reconhecer o Governo saído da Revolução dos Cravos, através de uma nota entregue à Chancelaria de Lisboa, a 27 de abril, dois dias depois do golpe dos capitães.

 
Primeira noite no hotel Hilton

 

Caetano e Tomás foram bem recebidos no Brasil, onde aterraram no aeroporto de Viracopos, às 16h45 de 20 de maio. A escolha de Viracopos, a 60 quilómetros de São Paulo, foi uma exigência das autoridades portuguesas que temiam uma manifestação de apoio às duas figuras do Estado Novo por parte da comunidade portuguesa ali emigrada.

 
Acompanhados pela mulher e pela filha de Tomás, Gertrudes e Natália, respetivamente, os governantes depostos instalaram-se no Hotel Hilton [São Paulo] e, efetivamente, contaram desde o primeiro momento com o apoio de muitos emigrantes que custearam quase toda a estada de Américo Tomás [à época com 80 anos] ¬ no exílio.

 

 

Caetano e Tomás mudaram-se para o Rio de Janeiro algumas semanas mais tarde. O primeiro, professor catedrático de Direito, começou a trabalhar a 1 de junho na Universidade Gama Filho e morreu no Brasil em 1980. Américo Tomás regressou a Portugal em 1978, depois do então Presidente da República, António Ramalho Eanes ter dado permissão. Morreu em Portugal a 18 de setembro de 1987.

 

 

Manuela Goucha Soares – 21/05/2014

 

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