Membro da direção de Rui Rio qualifica de “golpe palaciano” votação na bancada do PSD

O vogal da comissão política do PSD André Coelho Lima qualificou esta sexta-feira de “golpe palaciano” o resultado das eleições para a liderança da bancada parlamentar social-democrata, em que Fernando Negrão foi eleito por menos de 40% dos deputados.

 

 

“É muito estranho que se pretenda agora reverter na secretaria a posição clara dos militantes [nas eleições diretas] e dos congressistas. Dá um pouco a ideia, que nos leva para os episódios históricos, de um golpe palaciano”, afirmou à agência Lusa André Coelho Lima, eleito vogal na direção de Rui Rio, no Congresso do PSD que decorreu no fim de semana, em Lisboa.

 

 

A título pessoal e não em nome da comissão política de Rui Rio, André Coelho Lima afirmou que o resultado da eleição para a bancada parlamentar, “no fundo, tenta reverter uma posição muito clara da democracia” interna e é “um desrespeito por aquilo que foi a pronunciamento dos militantes do PSD”, nas diretas e no congresso.

Logo na quinta-feira, Fernando Negrão disse ter o apoio de Rui Rio e considerou ter condições para assumir o cargo de líder parlamentar, “com sentido de responsabilidade”.

 

 

O dirigente nacional do PSD relativizou os efeitos deste episódio, quer no grupo parlamentar, quer para Rui Rio, eleito nas diretas de 13 de janeiro, invocando o exemplo de Francisco Sá Carneiro, “aclamado como líder de todos os sociais-democratas”. “Teve mais de metade do grupo parlamentar contra si. E isso não foi impedimento para afirmar-se como líder forte, determinado e que sabia aquilo que queria”, afirmou, dizendo que Rui Rio “sabe o que quer para o país”.

 

 

André Coelho Lima fez ainda a defesa do sentido de Estado e de responsabilidade dos deputados que, sublinhou, “deviam imperar sobre os estados de alma, por muitos respeitáveis que sejam”.

 

 

Pois, acrescentou, “os portugueses”, que querem que os seus “programas sejam resolvidos”, estão a “olhar com estranheza” este tipo de ‘fait divers’” protagonizado pelos deputados. André Coelho Lima tentou também desdramatizar os efeitos de fragilização da votação de quinta-feira, considerando que “não há fragilidade, embora exista uma questão incomum”.

 

 

Esta é, segundo descreveu, uma “oportunidade para o doutor Rui Rio demonstrar a sua determinação de fazer aquilo que é preciso para o país”.

 

 

Fernando Negrão foi o único candidato à sucessão de Hugo Soares, que convocou eleições antecipadas para a liderança parlamentar depois de o novo presidente do PSD, Rui Rio, lhe ter transmitido a vontade de trabalhar com outra direção de bancada. Na votação, conseguiu 35 votos favoráveis, 32 brancos e 21 nulos, tendo votado 88 dos 89 deputados.

 

 

Rui Rio falha primeiro teste e entra em guerra com    os deputados

 

 

 

Fernando Negrão diz que se demite se tiver uma “rebelião” na bancada. Deputados furiosos dizem-se “incrédulos” e falam em “princípio do fim”. Teixeira da Cruz diz que Negrão não tem legitimidade.

 

A bancada do PSD revoltou-se contra Fernando Negrão, mas Rui Rio não fez caso do “politicamente correto” e abriu uma guerra com o grupo parlamentar na primeira semana de liderança. “Inacreditável”, “incrédulo”, “mau demais para ser verdade”. Ou então: “É o princípio do fim”. Todas estas palavras foram ouvidas pelo Observador, ditas por vários deputados do PSD — que não se quiseram identificar –, mas que reagiram “chocados” com a atitude de Fernando Negrão ao aceitar um mandato como líder parlamentar, mesmo rejeitado por 60% de votos nulos ou brancos. Paula Teixeira da Cruz foi a única deputada que assumiu o que outros diziam em surdina. Em declarações ao Observador, alegou que “a liderança da bancada não está legitimada” nem do ponto de vista político nem jurídico. E foi mais longe, criticando as referências à “ética” de Rui Rio e de Fernando Negrão. A ex-ministra da Justiça fala até em “linha próxima do estalinismo”. Fernando Negrão diria, à noite, numa entrevista à SIC, que estas são “opiniões minoritárias”, mas também admitiu demitir-se se houvesse uma “rebelião” na bancada.

 

 

Abandonarei as funções se houver uma rebelião na bancada, mas estamos a falar de pessoas adultas e presumo que não esteja em curso uma rebelião”, disse Fernando Negrão.

 

 

Quase tão longe nas críticas quanto Teixeira da Cruz foi o deputado Sérgio Azevedo, que apoiou Pedro Santana Lopes nas diretas. Este ex-vice-presidente da bancada foi recuperar a memória do fascismo para escrever no facebook que é preciso voltar ao plebiscito para a aprovação da Constituição de 1933, “para se admitir o ‘voto branco’ como um voto favorável ou, se quisermos, de não rejeição”. O deputado social-democrata refere ainda no seu post que a doutrina no Parlamento era considerar os votos em branco como uma “rejeição ativa”. Na SIC, Fernando Negrão classificou esta apreciação como “ridícula”.

 

 

Perante estas reações, um apoiante de Rui Rio comentava que as apreciações dos deputados revoltados “são normais na interpretação do politicamente correto”. Mas Rui Rio não raciocina em termos daquilo que é politicamente correto e, possivelmente, não dará grande importância a esta rebelião da bancada contra o candidato a líder parlamentar. Perante a imposição do presidente ao grupo, há deputados que protestam, e alguns dizem mesmo que, embora nada esteja concertado, “isto terá consequências”. Outros preferem remeter-se ao silêncio e sugerir que Negrão podia ter ultrapassado a derrota de outra maneira: “Não vamos ser nós a causar uma revolta popular. Mas Negrão não percebeu que há derrotas que se ultrapassam assumindo-as”.

 

 

 

TPT com: AFP//SIC//Lusa//Observador//Rui Pedro Antunes//Rita Dinis//Vitor Matos//António Pedro Santos// 24 de Fevereiro de 2018

 

 

 

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