O sentimento de insegurança existente na cidade de Newark originado por uma série de assassinatos, assaltos e atos de vandalismo, levou o mayor Ras Baraka e as suas chefias policiais a convocarem os residentes do Ironbound para uma reunião com o objectivo de promover a colaboração da população no combate à criminalidade nesta cidade, que, com os seus cerca de 300 mil habitantes, é também a maior cidade do estado de New Jersey.
A reunião teve lugar na sede do Roca-O-Norte, localizada no bairro do Ironbound, e foi presidida pelo mayor da cidade de Newark, Ras Baraka. Nesta reunião, que contou com a presença de cerca de duzentas pessoas, participaram também Anthony Campos, Chefe de Polícia de Newark, e o Capitão Joseph Pereira, comandante da Esquadra de Polícia do Bairro do Ironbound.
Durante a reunião, a polícia foi questionada sobre a existência de várias câmaras de vigilância que não estão a funcionar desde que a cidade foi fustigada pelo furacão Sandy. Em resposta, o Chefe Anthony Campos garantiu que desde que tomou posse há um ano já foi feita uma requisição para serem reparadas todas as câmaras de vigilância danificadas. No seguimento desta pergunta, o Chefe Campos aproveitou para lembrar a população que se alguém tiver videos de crimes devem enviá-los para a polícia.
Alguns dos representantes da comunidade equatoriana elogiaram o trabalho da polícia, mas falaram igualmente do número de crimes de homicidio que vitimaram compatriotas seus nos últimos três meses e enfatizaram a ideia de que a maior parte dos crimes de assalto e agressão não são trazidos ao conhecimento da polícia porque as vítimas estão no país ilegalmente e temem revelar a sua identidade.
O Chefe Anthony Campos, em resposta às queixas dos intervenientes, referiu que “nós estamos aqui para ajudar todas as pessoas por igual. Independentemente do seu estatuto migratório, ou da forma de como entrou no país, ou independente da sua raça ou religião, todos são tratados da mesma forma e com o mesmo respeito. A polícia não pergunta o seu estatuto legal. A nossa preocupação é trabalhar com o cidadão para combater o crime. Se você é vitima ou testemunha de um crime, ou se tem informação importante que leve à prisão dos criminosos, não deve recear falar com a polícia. Nós estamos todos do mesmo lado, temos que trabalhar juntos para obter resultados”, referiu Anthony Campos, que fez ainda questão de incentivar os residentes a participar qualquer mau atendimento de que as pessoas possam ser alvo por parte dos agentes policiais, ou a denunciar a forma como a sua queixa foi tratada.
“Somente com a colaboracão de todos será possível melhorar a segurança de pessoas e bens”
O Ironbound é maioritariamente constituido por trabalhadores emigrantes. Existe um número considerável de habitantes que não têm estatuto legal no país. Por essa razão, preferem esconder da polícia qualquer crime de que sejam alvo, ou que observem como testemunhas. Fazem-no por medo de deportação. Contudo, os seus receios permitem que os criminosos escapem às malhas da polícia.
Ras Baraka responde que “o medo que os emigrantes indocumentados têm de apresentar queixas na polícia é infundado, uma vez que todas as pessoas têm o direito de denunciar um crime, quer sejam cidadãos legais ou não”.
O crime de homicídio que vitimou recentemente o cidadão português Agostinho Sousa, natural do Minho, e a escassez de pessoas que colaboraram com informacão na altura do crime, despoletou a necessidade da polícia organizar esta reunião com a população local. O apelo inicial veio do Chefe Anthony Campos. ” Há três aspetos essenciais que é necessário que a nossa população entenda. Em primeiro lugar, é preciso que as pessoas denunciem os crimes e o façam imediatamente logo que tenham conhecimento deles. É importante que nos forneçam toda a informação que tenham sobre qualquer caso”.
Por sua vez, o capitão Pereira, comandante da esquadra policial do Bairro Leste, também fez questão de sublinhar que “qualquer pessoa que necessite de ajuda, tem o direito de chamar a policia sem temer consequências. Não importa se está legal ou não”.
Segundo o Mayor Ras Baraka, e com base nas estatísticas, “o número de homicídios baixou em 40% nos primeiros meses do ano, mas reconhecemos que embora o trabalho da polícia esteja a ser efetuado com eficiência, estamos a lutar contra a falta de recursos humanos”, disse.
Desde que em 2010 a Academia de Polícia de Newark fechou e que após o seu encerramento foram dispensados 167 polícias por motivos de orçamento, o Departamento da Policia de Newark sofre diariamente em razão dessas consequências. “São precisos mais homens de uniforme a patrulhar as ruas”, reivindica o mayor.
Ras Baraka reeiterou o que o Chefe Anthony Campos havia dito. “Se as pessoas nao falarem com a polícia quando são vitimas de um crime, as estatísticas vão traduzir uma realidade diferente. Se não houver denúncias, é como se o crime nao tivesse existido. Esta passividade da população em não denunciar os crimes diretamente à polícia, mas de o fazerem nas redes sociais afeta o número de polícias que são disponibilizados para o nosso bairro. A ideia é que se “não há crime, não há necessidade de contratar mais policias”.
“Os polícias de Newark são competentes, mas não são suficientes”
O Mayor Ras Baraka alerta ainda a população para a importância da denúncia imediata de qualquer tipo de crime. ” Só os números podem causar pressão. Precisamos de saber o número exato de crimes para trazer de novo a Academia de Polícia para Newark e para podermos contratar mais agentes. No ano passado, os State Trooper estiveram a colaborar no terreno com o Departamento de Polícia de Newark, e foram instalados na altura “postos de vigia” em pontos estratégicos da cidade. A iniciativa resultou e vamos reativá-los novamente na próxima semana.
Quanto à permanência de polícias do Estado para patrulhar a cidade, Ras Baraka referiu que esta medida deverá manter-se até que o Departamento consiga repôr o número de polícias dispensados”. Em relação a outras colaborações no campo da segurança, o mayor Baraka informa que o Condado de Essex também tem colaborado com a policia de Newark no sentido de garantir uma maior segurança e uma maior cobertura do terreno”.
Durante a reunião alguns dos presentes apresentaram as suas preocupações e interrogaram as autoridades sobre situações particulares que ocorreram no passado. Mas, como resposta, tanto o Mayor Baraka, como o Chefe Campos, e o Capitão Pereira, foram unânimes em dizer que a rapidez com que se traz até ao conhecimento da polícia cada ocorrência é determinante para um desfecho eficaz.
Ras Baraka lembrou ainda aos presentes que existe um aplicativo disponível com o nome de ” My Newark” para fazer o download para qualquer telefone, através do qual se podem denunciar os crimes anonimamente. Ao utilizar este aplicativo para fazer uma denúncia, o cidadão não tem de recear expor a sua identidade. Qualquer queixa entra automaticamente no sistema da polícia. Para além do departamento “My Newark”, o mayor disse ainda que podem utilizar a linha telefónica, ” Tips line”. Ras Baraka fez questão de referir que esta iniciativa “foi importante na recente detenção de várias dezenas de elementos pertencentes a dois grupos de gangs diferentes. “Toda a gente tem hoje em dia um telefone digital, por isso, tirem fotografias, enviem-nas para nós, e denunciem a criminalidade, pois só com a ajuda de todos podemos fazer uma cidade mais segura e onde haja mais gosto viver,” disse.
Como balanço final da reunião, existe a garantia do Mayor Baraka que a partir da próxima semana o bairro estará mais vigiado e em breve será patrulhado por mais agentes de uniforme. Os habitantes têm também a garantia de que irei continuar a tentar obter do Procurador Geral John Hoffman mais recursos humanos e materiais, para que Newark seja uma cidade mais segura. Porém, faço aqui também um apêlo para que cada cidadão telefone para a Procuradoria Geral e peça que seja reaberta a Academia de Policia em Newark”, referiu o Mayor Ras Baraka que tem planos para colocar mais 450 polícias a patrulhar a cidade durante os próximos quatro anos.
Segundo as autoridades policiais presentes na reunião, as denúncias podem ser enviadas para o departamento da Força Tarefa de Homicídios através da Tip Line:(877) 847-7432 ou para o programa Crime Stoppers: (877) NWK-TIPS (695-8477). As ligações são sigilosas e, caso elas levem ao paradeiro e prisão do criminoso, existe a possibilidade de recompensas de até 10 mil dólares.
Carla Barfield
The Portugal Times/12/8/2015