A Agência de Alimentos e Medicamentos (FDA) dos Estados Unidos anunciou que vão ser feitos testes ao vírus Zika em todas as doações de sangue no país.
Até agora, aqueles testes eram feitos apenas nas doações feitas em locais onde havia registo de casos.
A FDA anunciou a nova medida para aumentar as precauções perante o desconhecimento que ainda existe sobre o vírus e as novas suspeitas que apontam estudos científicos.
Os testes, que já se fazem em áreas de transmissão local do Zika como a Flórida e o Porto Rico, vão continuar “até que o risco de transmissão por transfusão diminua”.
“Dada a nova informação científica e epidemiológica sobre o Zika, é claro que é necessário tomar medidas adicionais de precaução”, afirmou, em comunicado, Luciana Borio, cientista chefe da FDA.
Casos de zika em Miami Beach. Autoridades alertam grávidas para não viajarem para a cidade
Casos de infeção pelo vírus zika, transmitido por mosquitos, foram detetados em Miami Beach, Florida, nos Estados Unidos. As autoridades alertaram as mulheres grávidas para evitarem viajar para esta zona. A ameaça deste vírus poderá atingir outras zonas do estado da Florida e poderá, por este motivo, afetar outras grávidas do estado norte-americano, afirmaram os responsáveis locais pela saúde.
Foram identificados dois casos de zika e um deles refere-se a um turista que visitou zona há cerca de duas semanas. O outro, atingiu um habitante de Miami.
Estes não são os primeiros casos de zika que surgem na cidade. No início de agosto registaram-se 15 casos de pessoas infetadas em Miami. A epidemia do zika tem-se espalhado pela a América do Sul durante 2016. No Brasil, já afetou mais de 1.800 bebés, que nasceram com microcefalia.
As autoridades locais apontam o bairro de Wynwood como o principal local de transmissão do vírus e 25 dos 35 casos de transmissão local na Florida estão ligados a este bairro. Contudo, o mayor de Miami, Philip Levine, afirmou que “é esperado que apareçam alguns casos, mas não se trata de nenhuma epidemia”.
Miami Beach tem cerca de 90 mil habitantes e acolhe milhões de turistas todos os anos. Só em 2015, foi de sete milhões o número das pessoas que visitaram a zona balnear. Mais de metade dos turistas teve origem no Brasil.
Zika pode causar perda de memória
Um novo estudo feito por um grupo de investigadores da Califórnia aponta que o zika pode causar perdas de memória parecidas àquelas que são provocadas pelo Alzheimer.
Ainda não tinha sido estudada a hipótese de o vírus afetar os adultos com a infeção de células cerebrais. “O zika pode instalar-se no cérebro de um adulto e causar sérios danos”, disse Sujan Shresta, membro da equipa do Instituto de Imunologia da Califórnia, apesar de confessar que é um processo “complexo e raro”.
As experiências feitas em ratos mostram que o vírus ataca células imaturas do cérebro, prejudicando a memória. Com o tempo, os efeitos podem ser semelhantes aos da doença de Alzheimer. O grupo de investigadores considera, ainda, que é importante que a monitorização do vírus não seja apenas feita em mulheres grávidas, mas em todas as pessoas.
Microcefalia não é o único problema causado pelo zika
Uma infeção com o vírus zika é particularmente perigosa para as mulheres grávidas pelo risco de poder causar microcefalia (perímetro do crânio menor do que esperado) no bebé. Agora, um artigo publicado na revista científica Radiology mostra outros tipos de anomalias que foram detetados em recém-nascidos infetados com o vírus.
A microcefalia, que se revela por um tamanho do crânio inferior ao normal, é causada pelo desenvolvimento anormal do cérebro. No caso da infeção com zika, o vírus parece perturbar a normal multiplicação das células do cérebro ou a diferenciação e desenvolvimento deste órgão. A microcefalia pode ter consequências no desenvolvimento cognitivo da criança e pode mesmo provocar-lhe uma morte precoce.
As anomalias agora reportadas incluem também um aumento da quantidade de líquido nas cavidades cranianas (mesmo quando o tamanho geral do crânio parecia normal), perda de volume da massa cinzenta e massa branca do cérebro, defeitos no tronco cerebral e nocorpus callosum (que faz a ligação entre os dois hemisférios cerebrais), colapso do próprio crânio originando pregas de pele na cabeça e calcificações em zonas do cérebro que desregulam a formação de novas células neuronais, como descreve o jornal americano The New York Times. Nalguns casos também foram identificados problemas oculares e no corpo.
De um ponto de vista imagiológico, as anomalias no cérebro são muito graves quando comparadas com as de outras infeções congénitas”, disse Deborah Levine, professora de radiologia na Harvard Medical School e coautora do estudo, citada pelo The Guardian.
Identificar os vários tipos de anomalias e a sua imagem radiológica pode ajudar a identificar precocemente o aparecimento de problemas no embrião durante a gestação. Os investigadores alertam que algumas das alterações e problemas podem surgir mesmo depois do nascimento, numa fase em que o cérebro da criança ainda está em desenvolvimento.
As imagens publicadas foram baseadas na análise de 35 bebés — 17 cujas mães tinham sido infetadas com zika e 28 sem confirmação laboratorial, mas com sinais da infeção. O estudo foi conduzido pelo Instituto de Pesquisa, em Campina Grande, no estado de Paraíba. Este estado, no nordeste do Brasil, está localizado numa das zonas mais afetadas do país que tem o maior número de casos de infeção com zika e o maior número de casos de microcefalia causada pela infeção.
Hong Kong regista primeiro caso de vírus Zika
As autoridades de saúde de Hong Kong confirmaram esta quinta-feira o primeiro caso de infeção pelo vírus Zika, numa mulher de 38 anos que viajou recentemente para as Caraíbas.
Segundo o jornal South China Morning Post, a paciente encontra-se estável, numa ala de isolamento no United Christian Hospital, em Kwun Tong.
Segundo as autoridades de saúde, a mulher foi picada por mosquitos durante a sua viagem.
Na China continental foram registados, até agora, 22 casos de Zika importados – sete destas pessoas passaram por Hong Kong quando regressavam da América do Sul, indica o jornal.
Transmitido pelo mosquito ‘Aedes aegypti’, o Zika surgiu no Brasil há cerca de dois anos e desde então espalhou-se rapidamente pelo país e parte do hemisfério sul.
Até ao momento, o maior foco de preocupação assenta no perigo que o Zika representa para grávidas e fetos, dado que surge associado a problemas congénitos quando ocorre infeção na gravidez, nomeadamente a microcefalia e a síndrome Guillain-Barré, uma doença autoimune.
Três vacinas para o vírus Zika mostraram-se eficazes em macacos
Três diferentes vacinas experimentais para o vírus Zika desenvolvidas nos Estados Unidos obtiveram resultados em macacos, abrindo caminho a ensaios em humanos nos próximos meses, anunciaram esta quinta-feira os investigadores.
Um estudo publicado hoje pela revista científica Science surge numa altura em que a comunidade científica tenta encontrar uma forma de prevenir o vírus transmitido por mosquitos que pode causar malformações nos recém-nascidos, como microcefalia.
O vírus Zika encontra-se atualmente em cerca de 50 países e territórios, sobretudo na América Latina, Caraíbas e no estado norte-americano da Florida.
“Três vacinas conferem completa proteção contra o vírus Zika em primatas, que é o melhor modelo animal para iniciar ensaios clínicos”, afirmou o investigador Dan Barouch, professor de medicina na Harvard Medical School, citado pela agência France Presse.
A proteção para o vírus Zika em roedores e primatas “enche de otimismo” os investigadores quanto ao desenvolvimento de “uma vacina segura e efetiva para os seres humanos”.
A infeção por vírus Zika não é geralmente uma doença mortal, mas a incidência em mulheres grávidas tem sido relacionada com casos de microcefalia e outras malformações nos bebés.
TPT com: New York Times//AFP//Lusa//Branden Camp//Michael Reynolds//EPA//Vera Novais//Observador//26 de Agosto de 2016